Escolas do crime

É verdade que o sistema prisional brasileiro é de péssima qualidade. Também é verdade que algumas prisões, as chamadas de “segurança máxima”, podem ser consideradas de bom nível e até se comparadas a algumas de primeiro mundo conseguem boas notas. Mas no final, ao “apertar os parafusos”, o chororô se aflora e há de se render à realidade: os presos, na verdade, são maltratados de forma bisonha.

Não é por nada que grande parte dos que conseguem uma saidinha não volta, preferindo viver às escondidas da polícia, num anonimato sempre perigoso. E estes assim fazem porque, se voltarem, enfrentarão mais uma vez xadrezes putrefatos, um ambiente hostil, doenças e doentes e, na maioria das vezes, comida de má qualidade.

Quem pratica o crime não sente a dor da perda, pois mata, rouba e desaparece. Não pode ser verdade em seu todo que “bandido bom é bandido morto”, pois, mesmo no meio desta barafunda prisional, pode haver recuperação sim, desde que o preso assim o queira, submetendo-se ao tratamento esquizofrênico dos chefetes das celas superlotadas, aos maus-tratos carcerários, à fome e à miséria.

O que deveria ser feito e, talvez, alguma alma caridosa já tenha até pensado seria uma espécie de separação, nas prisões e de prisões. Nem todos que foram presos ali estão por vontade própria ou caminharam para a criminalidade por falta de opções. Sempre existiram os bons e os maus, os trabalhadores e os preguiçosos e gente de bem que, por um motivo qualquer, misturou-se à gentalha criminosa de raiz, criada e gerida para tal.

Os menores, em sua maioria, entram para o crime através do oportunismo, das dificuldades em casa, da fome e das facilidades do tráfico. Hoje, os que “se acham” dentro do tráfico sabem que dificilmente completarão 30 anos e que nunca teriam uma vida cheia de emoções, dinheiro e mulheres bonitas, se não fosse pelo trabalho sujo que desenvolvem até serem pegos pela polícia, ou pelos companheiros do crime. Sabem, não se importam e não têm medo da morte, embora corram dela como o diabo da cruz.

Normalmente, não se aprende a roubar ou matar dentro das cadeias, pois as escolas do crime estão espalhadas pelo país afora, onde o desemprego e a facilidade de praticar um furto ou um roubo é muito grande em todo o país, que hoje quer mudanças, pois não aceita mais ser prisioneiro dos bandidos. As pesquisas têm colocado um candidato a presidente à frente em todos os quesitos, principalmente porque uma de suas principais promessas é dar a quem tem condições a sua arma para se defender, assim como ficar tranquilo em sua propriedade.

Tudo falado às claras e defendido por todos que querem que o país volte ao seu viés pacífico, e que o criminoso comece a ter medo real de ser preso, pois a maioria, mesmo pensando que irá morrer em breve, tem a esperança de poder ir um pouco mais longe. Enquanto isso, o povo torce para que a liberdade de ir e vir volte como já foi por um bom tempo.

 

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