Erros amadores

Preto no Branco

Quem acompanhou a reunião da Câmara na última quinta-feira viu pronunciamentos acalorados sobre a paralisação nas obras do Hospital Público Regional. Nas falas, foi pedido que o governador Romeu Zema (Novo) pare de vir à cidade “passear e namorar” e venha solucionar a falta de leitos para tratamento contra a covid-19. As declarações foram acompanhadas com bolo de aniversário, lembrando dez anos do início das obras, e nariz de palhaço. Portanto, no calor das falas, dois erros bobos cometidos, certamente, por falta de apuração adequada. No primeiro, a namorada de Zema é natural de Carmo do Cajuru e morava em Divinópolis, mas, há pelo menos um ano, reside em BH, portanto, ele não precisa vir à cidade namorar. Segundo, as obras começaram em 2010, assim, são 11 anos completos em junho próximo. Neste caso, uma checagem bem feita antes de levar qualquer assunto a público sempre é bem-vinda. 

Falta inteligência política 

A cobrança foi iniciada pelo vereador Ademir Silva (MDB) que exigiu a presença de Zema na cidade, ressaltado os  93 mil votos que ele teve na cidade. Afirmou ser uma vergonha sua atitude e sugeriu que muitos que votaram no governador morreram por falta de leitos.  Ao defender o fechamento do comércio, devido ao aumento da ocupação de leitos, a vereadora Lohanna França (Cidadania) endossou o coro de Ademir e também fez críticas ao governador. Faltou inteligência política, sobrou imediatismo, além de baixar o nível, ao atacarem a vida pessoal do governador. Essa atitude na política é lamentável. Se o político tem foco e argumento, independente se é experiente ou novato, não bole com a vida pessoal de adversários ou quem se quer atingir. É assim que os políticos que representam a cidade querem que Divinópolis tenha prestígio no governo? Com toda certeza, este não é o caminho.

Quantos governadores?

Não somente os dois vereadores, mas outros que fazem o mesmo discurso, pecam ao deixar de citar que o Estado está fazendo a maior obra estruturante da história de Divinópolis, desde a gestão de Antônio Martins à frente da Prefeitura. A duplicação do anel rodoviário, que começa no trevo de São José dos Salgados até o bairro Quintino, conta com trincheiras em todos os cruzamentos importantes, ressaltando que as mudanças ainda estão em andamento. Como se trata de Parceria-Público Privada (PPP), parte dos recursos vem do pedágio e o restante do Departamento de Estrada e Rodagem (DER). Desde o ex-governador Aécio Neves (PSDB) – responsável pela PPP da MG-050 – quantos governadores já passaram pelo comando do Estado? A pergunta é: quem deu prosseguimento às obras? Fica a reflexão. 

Para explicar 

A MG-050 não é concessão, é parceria. A parte do Estado tem que ser reinvestida ou aportar recursos, se faltar. Onde os governadores anteriores colocaram estes recursos? No Caixa Único, por isso atrasou. Atrelado a isso, tem-se as dificuldades impostas pelos órgãos ambientais competentes. Por isso, criticar, como todos fazem, na maioria das vezes, não é apropriado quando não se conhece a fundo todos os trâmites. Sugerir e ajudar costumam valer muito a pena, principalmente quando a beneficiada é a população. 

Para a covid-19

Ainda sobre Hospital Regional e Romeu Zema, só para lembrar que ele incluiu a conclusão da unidade de saúde no acordo com a Vale. Além disso, atendeu ao pedido da Prefeitura de Divinópolis, por meio do secretário de Saúde, Alan Rodrigo, e enviará equipamentos do hospital de campanha desativado em Belo Horizonte para serem instalados no Regional para atender pacientes de covid-19. Aliás, o Agora perguntou ao secretário na coletiva do dia 10 sobre sua ida à capital para tratar do assunto leitos de coronavírus em Divinópolis.  Ele disse que ainda não poderia falar sobre este assunto, ou seja, a vinda destes equipamentos. E perdeu a chance de ganhar os méritos antes que fosse duramente criticado nas redes sociais logo depois, exatamente por não ter tomado a iniciativa, sendo que já o tinha feito. De qualquer forma, a iniciativa foi dele. Importante ressaltar para que outros não gravem vídeos como pais da negociação. Aliás, é o que mais tem por aqui. 

Também falhou 

O mega-hospital de campanha construído em Belo Horizonte não teve demanda, por isso, está sendo desativado. Se, à época, Romeu Zema tivesse atendido ao pedido do ex-prefeito Galileu Machado (MDB) e demais prefeitos da região, isso em março 2020, quando pretendiam levar os pacientes da cidade e região para serem atendidos lá, e não no estacionamento da UPA, Divinópolis, talvez, não precisava ter fechado o comércio tanto tempo em 2020, nem em janeiro deste ano e, agora, entrar na onda roxa. Se falta conhecimento político por aqui e tem pessoas que estão mais do que perdidas nos cargos que ocupam, por lá não é diferente. 

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