Epidemia de dengue pode estar próxima

Maria Tereza Oliveira

Os casos de dengue em Divinópolis continuam crescendo desenfreadamente neste início de ano. Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) convocou uma coletiva de imprensa para informar a situação do Município. Até o momento, foram 28 notificações da doença.

Os casos têm se multiplicado rapidamente. Na última quinta, 24, a Prefeitura informou 12 ocorrências de dengue. Na segunda, 28, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) revelou que na cidade havia 18 casos e, ontem, a Semusa destacou as 28 notificações.

A Semusa explicou que, com os monitoramentos epidemiológicos semanais, foi observado que os números atuais são parecidos com os dos anos em que houve epidemia.

Neste ano, na cidade, ainda não há óbitos registrados pela dengue, porém o estado já soma duas mortes pela doença.

Denúncias

De acordo com secretário de saúde, Amarildo Souza, até ontem, o Município já tinha registrado 40 denúncias de focos de dengue. A Semusa alertou para a hipótese de epidemia na cidade.

Os cuidados e atenção para água parada em recipientes são essenciais para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor, não só da dengue, como também da zika, chikungunya e febre amarela.

Mesmo com todas as campanhas de conscientização, muitas pessoas se descuidam e acabam criando ambientes propícios para a proliferação do mosquito e, consequentemente, para o aumento dos casos.

Por este motivo, Amarildo aposta na ajuda da comunidade, não apenas para manter suas residências sem focos, mas também para denunciar situações de água parada para que a equipe realize o trabalho de limpeza e notifique os proprietários.

Para denunciar, basta ligar no disque dengue: (37) 3221-3722, ou pelo aplicativo AppDivinópolis, disponível para Android e iOS.

Por bem ou por mal

Com o aumento alarmante de casos, a fiscalização também se intensificou. O secretário de saúde revelou que o Ministério Público (MP) deu o aval para que, ao visitar os imóveis, os agentes tenham autoridade para fazer seu trabalho, mesmo que o proprietário se recuse.

— Em alguns casos, teremos de usar a força policial — esclareceu.

Dia D adiantado

Dentre as ações para coibir o aumento da doença, está o adiantamento do “Dia D”. Tradicionalmente, ele é realizado em abril, porém, devido às circunstâncias, ocorrerá no próximo dia 16.

— Vamos ocupar praças, além de usarmos os serviços de panfletagem — adiantou.

A diretora de vigilância em saúde, Janice Soares, que também participou da coletiva, disse que o resultado negativo está nas ações de prevenção por parte da própria população.

Ações

Para combater o Aedes aegypti, a Semusa, por meio da Vigilância em Saúde, implantou desde segunda, 28, uma “equipe de bloqueio” contra a dengue.

De acordo com o Município, a equipe atua desde a segunda quinzena de janeiro e trabalha conforme as notificações recebidas pela Vigilância Epidemiológica de pessoas com sintomas de dengue, zika ou chikungunya.

— A equipe vai até o endereço informado e realiza ações de pulverização por bombas apropriadas de inseticida que age no mosquito. A pulverização tem uma ação pequena, quando considerado o tempo: menos de 12 horas — justificou.

Além desta, foi anunciada uma série de medidas de combate aos focos do mosquito, dentre elas o reforço do efetivo de agentes, a retomada de mutirões de limpeza a partir do próximo mês e a antecipação de ações.

Mutirão

Na sexta-feira, 25, foi realizado um mutirão de limpeza contra o Aedes aegypti em quatro bairros: Serra Verde, Conjunto Habitacional Osvaldo Machado Gontijo, Alto das Oliveiras e Nossa Senhora da Conceição receberam a ação.

Retrospecto

No mesmo período do ano passado, foram registrados nove casos da dengue no município, enquanto em 2019 já são 28. Ou seja, em relação a 2018, Divinópolis registrou mais do que o triplo de casos.

Prevenir é o melhor remédio

Apesar de ser um assunto comentado, a prevenção muitas vezes é deixada de lado, o que facilita a proliferação do mosquito.

De acordo com o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa), 38,6% dos focos foram encontrados em baldes, latas e recipientes de plásticos e pneus.  Pratos e vasos de plantas, pingadeiras, bebedouros de animais e planta aquática respondem por 26,4% do total de focos encontrados. Ralo, caixa de passagem, sanitário em desuso e fonte ornamental totalizaram 19,3%. Já caixa d’água, tanque, poço, tambor e manilha são 14,9%. Outros 0,8% estavam em depósitos naturais, como bromélia.   

É importante lembrar de ações simples, como tampar caixas d’águas, deixar garrafas com a boca para baixo e, se o terreno for propenso ao acúmulo de água, realizar a limpeza e drenar o líquido.

Outras medidas de prevenção incluem limpar bem piscinas, aquários, calhas e acumuladores de água. Colocar areia em vasos de plantas também ajudar a evitar o acúmulo de água e, consequentemente, um foco da dengue.

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