Entrevista: Reeleito presidente do PSDB, Domingos Sávio defende saída de tucanos do governo

 

 

Da Redação

 Domingos Sávio, deputado federal por Divinópolis, foi reeleito por aclamação, no sábado, 11, presidente estadual do PSDB em Minas Gerais. A eleição contou com a presença do senador Aécio Neves. O novo mandato vai até o início de 2019. Em entrevista ao Agora, na manhã de ontem, Domingos falou sobre as eleições de 2018 e disse que o país vive um momento conturbado e chegou a hora de os tucanos deixarem o governo de Michel Temer (PMDB). Na tarde de ontem, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, deixou o cargo.

 Agora - Deputado, fale um pouco sobre sua eleição para presidente da Executiva Estadual do PSDB? 

Deputado - Vivemos um momento de revigoramento, de fortalecimento do PSDB com esse processo em que eu fui reeleito. Sou presidente do partido e fui reeleito para o próximo mandato, no período de 2017 a início de 2019. É período decisivo, no qual teremos eleições [em 2018] para Governo do Estado, para Presidência da República...

Pelo fato de que houve um determinado momento com alguns colegas falando em se candidatar [a presidente do PSDB], isso gerou um debate interno, saudável. Com a conclusão desse debate interno, houve um consenso, em que eu fui aclamado presidente com o apoio de todos deputados federais, de todos deputados estaduais, senadores, de prefeitos desde a capital da região metropolitana da nossa capital, como Contagem, maior cidade que o PSDB governa, até pequenas cidades do interior do estado. Compusemos uma chapa com 140 membros, num processo de consenso, reunindo senadores, deputados, prefeitos, vereadores, num ambiente de união absoluta, o que para mim é um motivo de alegria e muita responsabilidade, já que nós teremos, no ano que vem, eleições para Governo do Estado, Presidência da República e o PSDB, com certeza, estará participando.

 Quais são as diretrizes do senhor para este novo mandato como presidente estadual do PSDB? 

O Brasil vive um momento muito conturbado desde estes processos que ocorreram no ano de 2017, com as graves denúncias envolvendo várias lideranças na Lava Jato, que não pode parar e tem de punir todos que estiverem envolvidos com qualquer ilícito, indiferentemente de partido, até os processos mais traumáticos com relação ao presidente Temer. Eu, por exemplo, não sou eleitor do Temer, não sou simpático ao governo que ao está aí, que é um governo de transição, mas entendi que naquele momento não era melhor para o país tirar o Temer e colocar o país num ambiente de insegurança. Mas também não defendo que o PSDB continue tendo cargos no governo. Acho que está na hora de o PSDB se afastar do governo, apoiar as reformas que ainda precisam ser feitas, como a Reforma Tributária. Precisamos continuar votando projetos que endureçam o combate à criminalidade, projetos que dê condições do país voltar a se desenvolver e gerar emprego. Então, neste sentido, a gente deve apoiar projetos, mas não ficar fazendo parte do governo, para que o PSDB possa, e isso eu pretendo liderar aqui em Minas, estar em condições de apresentar para o país uma proposta sua e de seus aliados. Porque o governo que aí está não é o nosso governo. Em Minas, nós somos o principal partido de oposição ao Governo do PT. Então, temos a obrigação de apresentar uma proposta para o governo de Minas junto com nossos aliados. E, no campo federal, o governo Temer não foi eleito por nós, não é um governo do PSDB. Assim, também entendemos que o PSDB deve se colocar como um protagonista, como alguém que possa unir um grupo para não deixar o país nem ir para extrema esquerda com o Lula e nem ir para extrema direita. Precisamos de equilíbrio, de responsabilidade para fazer o país voltar a se desenvolver. Aí eu acredito na social democracia, que é o PSDB e que já deu certo no passado com Fernando Henrique, com o Plano Real, avanços para o Brasil que tem de apresentar uma boa proposta. Para isso, no meu entendimento, deve sair o mais rápido possível do governo Temer, não ocupar ministérios, se comprometer em apenas apoiar aquilo que for bom para o Brasil e ter uma proposta para Presidência da República e para o Governo de Minas.

 Hoje, costumam dividir o PSDB entre os cabeças brancas e os cabeças pretas. O senhor se coloca em qual deles? 

Eu, talvez, esteja grisalho [risos], amadurecido e, eu acho que o equilíbrio é a posição mais adequada para este momento. Eu vejo o Brasil caminhando para se dividir entre alguns que estão na extrema esquerda, querendo a volta de Lula, depois de toda tragédia que foi este governo do PT com o PMDB e com tudo que já foi provado, que fizeram de mal para o Brasil. Não há como aceitar voltar de novo com toda esta história de PT com PMDB. Aliás, é curioso que há pouco dias os petistas chamavam os peemedebistas de golpistas e, agora, a gente começa ver Lula e Renan Calheiros andando de braço dado, dizendo que estarão juntos em 2018. Por outro lado, com todo o respeito que tenho ao Bolsonaro, sou colega dele na Câmara, temos uma convivência muito respeitosa, mas eu acho que esta linha política mais de extrema direita também não apresenta com clareza um caminho para unir o Brasil em favor do próprio povo brasileiro. Então, eu acho que o PSDB tem um dever para com o país, o de apresentar uma candidatura mais de equilíbrio. E, neste momento, tanto aquela ala mais jovem do partido como alguns mais experientes, como eu, que já fui vereador, prefeito, tenho seis mandatos, entendemos que já está chegando a hora de o PSDB concluir sua contribuição com este governo de transição e sair para apresentar ao país uma proposta que seja a cara do PSDB, mais de centro-esquerda, que dialogue com os extremos, mas que tenha mais equilíbrio, mais responsabilidade para governar para todos e não governar para uma parte do Brasil. É hora de pensarmos num Brasil mais unido para que a gente volte a ter perspectiva de desenvolvimento, geração de emprego e a ter um pouco mais de paz social. Hoje, a gente vê a violência aumentando, a saúde numa situação de calamidade e não é possível que a gente vai ficar estimulando um Brasil dividido entre nós e eles. O PSDB tem o dever de apresentar uma proposta em favor do Brasil e não da extrema esquerda ou da direita.

 

 

 

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