Entre o mito e a vida: vacinas contra a desinformação

Matheus Augusto

Dentre os vários problemas na Saúde, mais um: os mitos. Além de dificuldades econômicas e da falta de médicos, agora é preciso também conscientizar as pessoas sobre a importância de tomar as vacinas. Nas redes sociais e nos círculos de amizade e familiares é possível encontrar cidadãos com receio de se imunizar ou até mesmo vacinar os filhos. A consequência? O desenvolvimento de doenças graves por um receio advindo de uma informação falsa.

Movimentos

Parece ficção, mas não é. Há diversos grupos espalhados pelo mundo, principalmente na Europa e na América do Norte, que defendem a não vacinação. São diversas as informações falsas divulgadas.

Como faz anualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em janeiro, os dez desafios para o ano. Na oitava colocação está a relutância em vacinar. Segundo a entidade, o receio das pessoas em se imunizar colocar em risco o avanço ocorrido nos últimos anos.

— A hesitação para vacinar (a relutância ou a recusa, apesar da disponibilidade da vacina) ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização. Trata-se de uma das formas mais custo-efetivas para evitar doenças e fatalidades. Atualmente, previnem-se cerca de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Outras 1,5 milhão poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação tivesse maior alcance — ressalta a organização.

Mitos

Uma dos boatos mais conhecidos afirma que a vacina tríplex (sarampo, caxumba e rubéola) seria responsável por causar o autismo. No entanto, diversos estudos já provaram o contrário. Várias outras informações falsas tentam relacionar doenças com as imunizações. É preciso entender que há todo um processo de testes e validação antes de uma vacina ser disponibilizada para uso. O que pode acontecer são, na maioria dos casos, reações adversas leves e temporárias, como febre e dor no local onde a agulha foi aplicada.

Ao não acreditar no benefício da vacina, a pessoas acabando colocando sua vida e de seus filhos em risco. As complicações podem ser ainda piores nas crianças, em razão do desenvolvimento imunológico. Doenças como sarampo, caxumba e rubéola podem desencadear pneumonia, diarréia, encefalite, infecções de ouvido e cegueira.

Sarampo

Não necessariamente está ligado aos movimentos antivacina, mas uma doença “sumida” no Brasil voltou a ser diagnosticada: o sarampo. A enfermidade era considerada erradicada no país desde 2001. No entanto, neste ano, surtos da doença têm sido registrados em algumas regiões, como São Paulo. O Brasil perdeu, em 2019, a certificação de país livre do sarampo, fornecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em Divinópolis, nenhum caso da doença foi registrado. O que não é surpresa, visto que a cobertura vacinal é de 99,8% entre crianças de um a quatros anos de idade.

Caderneta

Um cuidado simples e fundamental tem sido deixado de lado por muitas pessoas: o acompanhamento do Calendário Nacional de Vacinação. O Ministério da Saúde disponibiliza, em sua página na internet (http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao), quais vacinas devem ser tomadas e em qual idade, desde o nascimento até após os 60 anos.

Até os quatro anos, são recomendadas 25 doses de vacinas, para prevenir doenças como hepatite A e B, febre amarela, sarampo e meningite. Já na adolescência, entre os nove e 19 anos, é preciso tomar oito doses, tanto para prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) quanto para reforçar outras imunizações.

Na fase adulta, entre 20 e 59 anos, o Calendário Nacional prevê mais cinco doses, a variar de acordo com a situação vacinal da pessoa. Um das vacinas é a Dupla Adulto (DT), que previne contra a difteria e o tétano, e deve ser reforçada a cada dez anos. Pessoas com 60 anos ou mais precisam tomar três doses.

Além disso, no calendário é possível verificar quais vacinas gestantes e povos indígenas precisam buscar.

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