Engenheiro afirma ter sido pressionado para atestar estabilidade da barragem

 

Da Redação

Apurações para responsabilizar os culpados pela tragédia em Brumadinho, ocorrida no último dia 25 de janeiro, já escancaram a negligência como a companhia lidava com seus avanços monumentais em exploração e, ainda, a forma trivial como suas responsabilidades sociais eram esquecidas e literalmente empurradas para as margens.

Até a tarde desta quarta-feira, 7, foram contabilizados 150 mortes, sendo que a Polícia Civil identificou 134 mortos e há ainda, 182 pessoas desaparecidas. 

Conforme informações de veículos de comunicação a nível estadual e nacional, as investigações policiais deram conta de que dois dias antes do rompimento da Barragem de Mina do Feijão, foram trocados e-mails entre funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, ambas, contratadas pela Vale para monitorar e validar laudos de engenharia  externos sobre a segurança da barragem.

Os emails trocados evidenciam que a Vale já havia identificado problemas nos dados emitidos via sensores, usados para monitorar toda estrutura. Como apurou a Polícia Federal, o teor das mensagens "diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados".

Os engenheiros Makoto Namba e André Jum Yassuda, da TÜV SÜD - responsáveis por laudos de estabilidade da barragem prestaram depoimentos após os dois terem sido presos pela Polícia Federal na semana passado. Entretanto, nesta terça-feira, 5, eles foram liberados segundo determinação judicial. Makoto Namba afirmou em depoimento que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem.

Pressão e laudo 

No inquérito da policia, os investigadores questionaram sobre "qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem", e Namba respondeu, segundo o relatório da Polícia Federal, que "após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis".

O engenheiro também disse que se sentiu pressionado por representantes da Vale a assinar o laudo de estabilidade. Relatou que durante uma reunião,  Alexandre Campanha, funcionário da Vale, perguntou a ele: "A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?".

Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018, mas assinou o documento.

Segundo ele, "apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato".

Nota da Vale

A Vale informa que vem colaborando proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades.

Nota da TÜV SÜD

A TÜV SÜD está profundamente consternada com o trágico colapso da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, em 25 de janeiro de 2019. Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.

Uma subsidiária da TÜV SÜD no Brasil realizou verificações na barragem como parte de um contrato com a operadora Vale S.A. Imediatamente após o rompimento da barragem, a Diretoria e o Conselho de Administração da TÜV SÜD iniciaram amplas investigações sobre o caso, ainda em andamento. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir para uma investigação abrangente desse caso. A TÜV SÜD contratou os escritórios de advocacia Pohlmann & Company e Hengeler Mueller para que eles conduzam uma investigação independente. Além disso, um especialista independente será chamado para fazer uma avaliação de questões técnicas.

Dois funcionários da TÜV SÜD que foram temporariamente detidos pelas autoridades brasileiras foram libertados.

Por conta das investigações em andamento pelas autoridades do Brasil, com as quais estamos contribuindo, a TÜV SÜD não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais.

 

 

 

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