Empréstimo é aprovado, mas espetáculo dá o tom

Maria Tereza Oliveira

Uma proposta que divide opiniões foi a protagonista da reunião de ontem da Câmara. O Projeto de Lei Ordinária do Executivo (Plem) 047/2019, que trata sobre o empréstimo de R$ 40 milhões à Prefeitura, quase entrou, de última hora, no encontro de terça-feira, 10. No entanto, o Plem foi incluído ontem e aprovado por unanimidade (11 votos a 0).

O debate da proposta foi marcado por discursos acalorados e vereadores passaram mal durante o debate que antecedeu a votação.

O projeto chegou na Casa no fim do mês passado. De acordo com o texto, o empréstimo tem finalidade realizar diversas obras na cidade.

Ânimos exaltados

Antes da votação do Plem, foi apreciada uma emenda de autoria do vereador Matheus Costa (CDN). Conforme o vereador autor explicou, a inclusão da nota de empenho tem como objetivo garantir o pagamento do empréstimo.

— A despesa precisa estar prevista no orçamento e é tirada de uma dotação específica. Se não houver saldo, a despesa não é empenhada e não pode ser paga — disse.

A emenda foi rejeitada por 11 contrários e cinco favoráveis.

Quando o assunto voltou para o Plem 047/2019, os ânimos começaram a se exaltar. Muitos vereadores quiseram falar e o presidente da Casa, Rodrigo Kaboja (PSD), determinou que cada parlamentar teria tempo indeterminado para falar, no entanto, cada um poderia usar a palavra apenas uma vez.

Marcos Vinícius (Pros), Adair Otaviano (MDB) e Nêgo do Buriti (PEN), por exemplo, enalteceram a importância do recurso e pediram a aprovação do mesmo. Em seu pronunciamento, o emedebista chegou a falar, sem citar nomes, que em 2007, um empréstimo similar foi aprovado pela Casa.

Dr. Delano (MDB) também usou a fala para elogiar a proposta. O vereador citou uma outra votação de empréstimo para o Executivo.O vereador alegou que iria votar favorável ao empréstimo porque, em 2007, Edson Sousa (MDB) votou a favor de um projeto similar. De acordo com o parlamentar, o valor do empréstimo era R$ 43,7 milhões.

— Se o Edson votou este valor na época em que ele era oposição, vai dizer que agora que ele é do partido do prefeito [Galileu Machado (MDB)], não vai votar favorável? — ironizou.

Delano ainda disse que era parente de Edson.

Quando teve a oportunidade de falar, Edson, visivelmente irritado, chamou Delano de “moleque” e disse que não era primo dele e que ele teria faltado com o respeito citando seu nome 22 vezes.

Enquanto ele falava, Edson começou a se sentir mal. O vereador se recusou a ser atendido pelo colega, que é médico. A reunião foi interrompida para o atendimento ao vereador.

Quando a reunião foi retomada, antes de seguir a votação, Janete Aparecida (PSD), também não apareceu. Ela também teria se sentindo mal.

Alguns vereadores pediram que a votação fosse suspensa. No entanto, Kaboja alegou que não fazia sentido interromper a votação, uma vez que o projeto já havia sido debatido.

Roger Viegas (Pros) e Sargento Elton (Patriota) abandonaram a reunião, de acordo com eles, em solidariedade aos colegas que não poderiam votar em razão do estado de saúde de seus colegas. Já Matheus Costa (CDN), acompanhou Edson ao hospital São Judas.

Zombaria?

Mas a confusão não acabou aí. Durante a justificativa de votos, César Tarzan (PP) reclamou de falta de respeito com os colegas. O vereador chegou a chorar quando afirmou que, durante o atendimento de Edson, um dos edis estaria zombando e dando gargalhadas.

Dr. Delano endossou as críticas e disse que falta respeito entre os vereadores em vários momentos, como por exemplo, quando os parlamentares estão usando a Tribuna.

Empréstimo

Dos R$ 40 milhões do empréstimo, o projeto justifica que R$ 27 milhões serão utilizados no recapeamento de ruas, recuperação e canalização de córregos, além recuperação de estruturas em pontes e viadutos em diversos locais do município.

Ainda segundo o documento, R$ 11 milhões serão usados na construção de uma ponte entre bairro Maria Peçanha e bairro Realengo, a BR-494 até o Complexo Rodoviário.

Os R$ 2 milhões restantes serão investidos na conclusão do primeiro pavimento da segunda etapa do Centro Administrativo da Prefeitura.

Desfecho

A história não terminou ao fim da reunião. Após o encontro, Dr. Delano acionou a Comissão de Ética por se sentir desrespeitado ao ser chamado de palavra chula.

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