Embromação

 

O país passou dez dias por momentos de alucinação, desespero ou algo parecido. A “guerra” psicológica gerada pela greve ou paralisação dos caminhoneiros gerou, via mídias eletrônicas, um conflito quase que desesperador.

Por um lado, um governo que poderia ter resolvido o problema antes, bem antes de ele ter acontecido, pois teve tempo para isso. Do outro, uma população estarrecida, vendo minguar nos supermercados as verduras e legumes, o leite e outros produtos de pequena monta. Divinópolis, através dos seus bem abastecidos supermercados, não chegou a sofrer grandes consequências, a não ser as intermináveis filas nos postos de combustíveis.

Enquanto alguns representantes eram atendidos pelo governo, outros que se diziam representar também os caminhoneiros postavam horrores de acontecimentos que, na verdade, não aconteceram. O momento sugeriu aos mais “nervosos” a possibilidade de uma intervenção militar, que foi criada apenas nas mentes de alguns manifestantes e em filmetes no WhatsApp, que pareciam mesmo ser a fala e a ousadia de alguns coronéis.

Verdade ou não foi um susto, porque os desmentidos dos militares que estão no poder nem sempre eram suficientes para acalmar a população que quer, sim, mudanças, provavelmente até a queda de Temer, mas sem confusão, como se um golpe fosse fácil de se degustar. Preferiu-se o diálogo, ao mesmo tempo em que as medidas mais enérgicas foram tomadas, exatamente porque tem (e tinha) um general do Exército por trás dos acontecimentos mais fortes, seu nome: Sergio Etchegoyen.

Como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ele conseguiu quebrar uma força invisível que vinha se alastrando através da internet. O povo nunca quis brigas, o povo quer sim a paz, mas que venha (ou se mantenha) sem arruaças. Alguns falsos representantes até que mostraram a cara, mas isto não adiantou nada, porque as Forças Armadas fizeram o que delas se esperava.

Os caminhoneiros que estavam com os seus caminhões parados sofreram mais que os companheiros que esperavam de braços cruzados, à custa dos patrões, que agora irão pagar multas pesadíssimas e com a possibilidade de processos penais por causa do lockout, uma paralisação proibida pelas leis brasileiras.

O balanço final mostra que o rombo foi grande. Mais de R$ 80 bilhões foram jogados fora, pois o país parou em vários setores, enquanto Temer e os seus ministros que não fizeram o dever de casa a tempo calculavam o prejuízo de R$ 13 bilhões que o povo também terá de pagar. Os 46 centavos a menos no preço do diesel não foram bons para nenhum lado, pois o que melhorou em muito foi a não cobrança do pedágio para os eixos que não rodavam.

Uma coisa ficou certa: realmente o país é governado por incompetentes e descobriu, com incrível dureza, que os caminhoneiros podem, sim, parar e quebrar este país quando quiserem, sem fazer nada de anormal, apenas estacionar seus veículos onde as multas não os alcance. A embromação de Padilha e seus amigos que aparecia o tempo todo nas TVs terá um preço, mas este nós saberemos com um pouco mais de tempo.

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