Em último lugar

Editorial - Em último lugar 

Milhões de brasileiros voltaram para a extrema pobreza, entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O governo federal afirma que é considerada família vivendo em extrema pobreza aquela com renda per capita de até R$ 89 mensais. No geral, são pessoas que vivem nas ruas ou em barracos de favelas. Além desse expressivo grupo, 2,8 milhões de famílias estão em pobreza, com renda entre R$ 90 e 178 per capita mensais. Em outras palavras, esse grupo sofre dia a dia na busca de alimentos. No último levantamento feito pelo Agora, em novembro de 2019, o número de famílias que viviam em extrema pobreza em Divinópolis havia aumentado 275%. 

Na época, a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que mais de quatro mil famílias estavam cadastradas no Município como “em situação de extrema pobreza”. O número se mostra assustador quando comparado com anos anteriores. A secretaria revelou que, de 2016 a 2017, 1.072 famílias viviam em extrema pobreza. Para se ter uma ideia da gravidade e do avanço da situação, em 2013, pouco mais de 100 famílias enfrentavam este cenário em Divinópolis. E, se de um lado milhões de brasileiros lutam diariamente para ter o que comer na mesa, por outro os ditos “representantes do povo” estão preocupados com quanto poderão utilizar do dinheiro público para financiar suas campanhas eleitorais. 

Até o momento, estão previstos para o próximo ano o patamar mínimo obrigatório de R$ 811,3 milhões de gastos com recursos públicos para financiamento das campanhas eleitorais, o chamado fundo eleitoral. O valor é bem distante dos R$ 5,7 bilhões aprovados pelo Congresso e vetados pelo presidente Jair Bolsonaro, e também dos R$ 4 bilhões pedidos pelo Centrão, mas, sem sombra de dúvidas, ultrapassa a linha do imoral, quando se tem mais de 17 milhões de brasileiros lutando diariamente para ter alimento em casa. A sensação que se tem é que, na lista de “prioridades”, o povo brasileiro está em último lugar e que estamos longe, mas muito longe mesmo de se ter ao menos uma luz no fim do túnel. 

É cada vez mais nítido que a população perdeu o senso da realidade, do aceitável, do admissível. Amanhã, o povo vai ter que amargar mais um reajuste do gás de cozinha. Em Divinópolis, o botijão de gás de 13 kg deverá ser comercializado entre R$ 105, R$ 107 ‒ durmam com um barulho desse. Por aqui, o litro de gasolina já alcança a casa dos R$ 6,30; os alimentos nem se fala. Poderíamos listar um a um. E aqueles que ainda têm comida em casa, se dão ao luxo de ter carro e conseguir abastecer podem se considerar privilegiados. Afinal, mesmo quando as prioridades de seus “representantes” são o fundo eleitoral, ainda é possível ir “levando o barco”. 

Triste, desolador e desesperador pensar que, enquanto milhões lutam para sobreviver, aqueles que deveriam buscar uma solução para isso estão buscando apenas formas de se reeleger. É como dizem por aí: prioridades… Triste, mas real… Prioridades… Enquanto isso, o povo que lute e arque com as consequências. 

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