Em entrevista exclusiva ao Agora, porta-voz do Corpo de Bombeiros na tragédia de Brumadinho revela desafios enfrentados

Da redação

O desastre do rompimento de barragens em Brumadinho deixou muitas mortes, famílias desamparadas e uma cidade arrasada; mas em meio ao triste cenário, um jovem de 26 anos se destacou. O tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), Pedro Aihara, foi nomeado para ser o porta-voz da corporação na cidade mineira. Com um currículo extenso para tão pouca idade, a clareza e a sensatez em lidar com toda aquela dramática situação ganhou a imprensa brasileira. Sempre coeso nas respostas feitas nas coletivas que eram concebidas diariamente, Pedro tentava esclarecer ao máximo todas as dúvidas dos jornalistas presentes.

O Agora esteve presente em Belo Horizonte e conseguiu entrevista exclusiva com Pedro Aihara. Perguntas sobre a sua função no Corpo de Bombeiros e como é lidar com a tragédia de Brumadinho até os dias de hoje foram respondidas.

O que você considera fundamental para executar uma boa comunicação?

— Em primeiro lugar, toda comunicação que eu faço em nome do Corpo de Bombeiros eu levo comigo um princípio, olhar o lado da vítima. A pessoa que foi atingida e a sua família merecem respeito e empatia. Saber lidar com a dor do outro nesses trágicos momentos é fundamental — ressaltou.

Com relação a lidar com seres humanos, como é a proximidade entre Corpo de Bombeiros e as famílias que tiveram vítimas nas tragédias?

—A importância de saber passar bem a informação, com zelo e cautela é fundamental no processo. Do outro lado quem está recebendo a informação também é um ser humano, que tem seus anseios, suas tristezas e dores como qualquer um de nós. O processo fica humano, e a pessoa percebe que o poder público está dando a devida atenção e suporte, o que ajuda a tornar menos árduo o processo de luto. As superações das perdas ficam de modo mais afetivo ao ver que um ser humano está preocupando um com o outro em um momento tão difícil — destacou Pedro.

Com relação à tragédia de Brumadinho, como está a situação das famílias?  E a comunicação do Corpo de Bombeiros permanece na cidade?

—Sim, a comunicação permanece e não vamos parar! São 110 dias de operação, sem previsão de término. Enquanto não encontrarmos todos os corpos o trabalho vai continuar da mesma maneira. Até o momento encontramos 240 corpos, ainda faltam 30, e nosso objetivo é trazer o conforto para todas as famílias que ainda sofrem. Ainda com relação à comunicação, realizamos reuniões semanais com os familiares, porque a principal preocupação é mostrar que o nosso trabalho está sendo feito da melhor maneira, com muita força de vontade. E também é válido ressaltar que o compromisso do Corpo de Bombeiros em fazer tudo que estiver ao nosso alcance está sendo feito, para ao menos diminuir a dor das famílias.

Como foi para você, olhando pelo lado humano, lidar com essa tragédia?

— Olha, todas as tragédias apresentam desafios diferentes. O ocorrido em Brumadinho se trata de uma longa operação, sendo inevitável a gente ter um contato muito próximo com as famílias envolvidas. Então, boa parte dos familiares das vítimas eu conheço pelo nome e sei da história de cada um, é impossível não se conectar. Por isso, a maior dificuldade é a de ser profissional e ao mesmo tempo humano; achar essa linha tênue entre ter uma comunicação e não esquecer que estou lidando a todo o momento com seres humanos. É um desafio psicológico muito forte, mas quando a gente acredita no trabalho que nossa instituição faz, que é com amor e envolvimento, tudo fica menos árduo. O nosso intuito é sempre ajudar, ainda que o ideal fosse encontrar as vítimas vivas, o que pudermos fazer para confortar essas famílias será feito e é com esse intuito que mobilizamos toda nossa operação.

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