Em briga de marido e mulher devemos, sim, meter a colher!

Laiz Soares - Em briga de marido e mulher devemos, sim, meter a colher!

Mais um caso de feminicídio em Divinópolis. De acordo com informações, Maria Aparecida Souza, de 49 anos, foi assassinada dentro de sua casa, após ter sido golpeada pelo ex-companheiro. Segundo relatos iniciais, o suspeito teria a empurrado dentro do banheiro e, assim, a mulher se desequilibrou e caiu, tendo batido a parte posterior da cabeça no vaso. 

Esse assunto não é novidade em nosso meio, mas precisamos insistir nele. No Nenhuma Mulher a Menos, um projeto que tem como objetivo aumentar a rede de apoio a mulheres vítimas de algum tipo de violência, ouvi diversos relatos e tentativas de denúncias não concretizadas. Não foi uma ou duas vezes. São diversas histórias tristes e doloridas.

Este é um cenário perverso que afronta meninas e mulheres em todo o Brasil, causando consequências graves e comprometendo o direito à cidadania e aos direitos humanos. Geralmente, a vítima vive uma relação acorrentada com quem a agride, seja por dependência emocional ou financeira e material.

Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de mulheres que são vítimas de violência no Brasil é de 536 por hora. Isso mesmo: por hora, e não por ano! Ou seja, a cada 60 minutos, 536 mulheres sofrem violência verbal e agressões físicas pelo simples fato de serem mulheres. Além disso, vale destacar que a maior causa da morte de mulheres entre 16 e 44 anos é a violência doméstica.

Sem dúvida, este é um problema de saúde pública. Por isso, nada mais justo que existam políticas que possam minimizar os efeitos dessa perversidade contra a mulher. Há 15 anos, podemos contar com a Lei Maria da Penha que, desde que sancionada, tornou-se um marco na vida das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. 

Essa lei já ajudou tantas mulheres que a Organização das Nações Unidas (ONU) a reconheceu como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência doméstica e familiar, graças à redução em 10% dos assassinatos de mulheres; a tipificação da violência (patrimonial, sexual, psicológica, moral e física); a implantação de medidas protetivas. Houve ainda alterações nas legislações trabalhista e criminal com o fim de proteger mulheres vítimas, abarcando mulheres transexuais e lésbicas.

No entanto, essa lei sozinha, apesar de ser uma ajuda valiosa, ainda deixa muitas mulheres nas mãos de seus agressores. A grande verdade é que sobram vítimas e faltam políticas públicas que possam proteger as mulheres. O caminho é fácil? Não, não é! Pelo contrário, é árduo, cheio de desafios e obstáculos.

Mas, como sempre digo, precisamos lutar por essas mulheres, que foram violentadas ontem, hoje e evitar que os números cresçam exponencialmente amanhã. Afinal, somos mais de 50% da população e do eleitorado.

Precisamos de lideranças femininas que estejam dispostas a vestir a camisa nessa luta e que possam influenciar em leis que estejam do lado da mulher, como política de atendimento policial mais ágil e eficaz, salvaguardando a vítima e seus dependentes, auxílio financeiro temporário para subsidiar temporariamente a transição e emancipação da mulher que sofreu violência e apoio federal às casas de acolhimento.

Ainda é preciso apoiar uma educação de empoderamento, mas que também ensine desde cedo aos meninos a importância da equidade de gênero, quebrando paradigmas na sociedade. 

Em nossa história, vemos que as mulheres conquistaram muitas coisas até aqui por meio de lutas e sacrifícios. Por isso, não aceitamos retrocesso. Queremos que as meninas e mulheres não sejam mais manipuladas, e sim protegidas. Essa luta é minha, é sua e deve ser de toda mulher!

*Laiz Soares é formada em relações internacionais pela PUC Minas e pela Essca na França. Atuou liderando equipes e projetos no setor privado, em ONGs e no Congresso Nacional.

 

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