Eleger ou reeleger

 

Tenho visto alguma movimentação na internet incentivando o eleitor a não reeleger nenhum político. Entendo os motivos que levam a tal posição, mas não concordo. Em uma das mensagens que recebi chegaram a dizer que os deputados atuais de Divinópolis não fizeram nada. Tal afirmação é injusta e soa muito como tentativa dos que estão de fora de entrarem na marra.

É certo que alguns parlamentares mineiros realmente deixaram a desejar, mas existem, sim, deputados com larga folha de serviços prestados e tentar colocar todos no mesmo pacote é injusto e demonstra desconhecimento do que realmente foi trabalhado nos últimos quatro anos. Muitos dos que compartilham tais mensagens nas redes sociais sequer acompanharam as atividades da Câmara Federal ou da Assembleia nos últimos anos para fazer tal avaliação.

O que é bom deve voltar, sim, e nivelar por baixo não é a saída. Em contrapartida, o que é ruim deve, sim, sair. Antes de decidir o voto, porém, se é pela eleição ou reeleição, é bom avaliar o nome do candidato e o que ele pretende. Muitos lançam candidatura sem sequer saber qual o papel do deputado ou o que pretende quando chegar lá.

Nos casos em que o eleito não entende da prática legislativa, ele costuma passar quatro anos aprendendo a ser deputado, uma faculdade muito cara que é paga pelo eleitor. Acredito que ninguém anda pagando estudos para ninguém e, portanto, não acho certo que nós paguemos para uma pessoa aprender sobre a função. Por mais bem intencionada que seja, ela deveria ter se preparado antes.

Um erro comum é o chamado voto de protesto. Quando o cidadão escolhe um candidato como forma de humor negro, um deboche da atual situação política do país. Esta prática gera uma piada que sai muito cara para o próprio eleitor e, no fim, nem tem tanta graça. Votar em candidato porque ele é engraçado, porque ele fala errado ou porque ele está na mídia é a maneira mais fácil de fazer com que tudo fique muito pior do que está hoje.

Candidato que perde tempo atacando o adversário também não costuma ser uma boa escolha. Quem tem tempo para ficar monitorando a campanha do outro é porque geralmente não tem serviços prestados ou projetos para mostrar. O bom candidato ganha o voto por seus méritos e não por defeito alheio.

Outra coisa: não tem nada mais irritante do que político dizendo que não é político. Se não é, então por que disputa voto e se candidata a um cargo eletivo? Pura balela, o correto é dizer que não é político como os outros são ou que é político de um jeito diferente. Quem pede meu voto alegando que merece porque não é político simplesmente não o recebe. Voto em político que é político e bom em fazer políticas públicas.

E para fechar, fica o alerta: cabos eleitorais são, na verdade, um perigo. Deve-se ficar mais atento a eles do que ao próprio candidato. Muitas vezes, eles vendem o voto alheio por um emprego ou para pagar um favor pessoal. Eles se munem de grande capital político (votos), devido às ações que realizaram no passado ou pelas muitas amizades conquistadas e negociam isto com o candidato. Nesta época do ano, já tem muito cabo em Divinópolis negociando voto com candidato de outras cidades. O seu voto pode estar no pacote.

Lembre-se que o mandato é exercido por quem foi eleito e não por quem lhe pediu o voto. Talvez, o cabo eleitoral seja bom, mas o político que ele representa não. Você pode até aceitar a indicação, mas procure fazer sua avaliação pessoal antes de se decidir.

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