Ego que fala?

Há cerca de seis anos o Brasil foi tomado pelo “boom” das redes sociais. O número de usuários do Facebook, Instagram e Whatsapp saltou assustadoramente para milhões em pouco mais de um ano. E não demorou muito para que alguns candidatos a cargos políticos percebessem o poder das redes sociais e começassem as usá-las a seu favor, o que ocorreu mais precisamente no processo eleitoral de 2016. Bastou a internet cair nas graças destes “alguns", e o resultado ser “eleito", para que os outros milhares de candidatos fossem atrás.

Mas não foi só isso. Não demorou muito também para que o uso das mídias diversas saísse do controle e causasse danos irreversíveis à sociedade, como um caminhão sem freio descendo uma ladeira. A verdade é que a maioria não estava preparada para a era digital e muito menos para a junção dela com a política.

Porém, já era tarde demais. Foi justamente assim que as eleições majoritárias de 2018 foram pautadas: por um caminhão sem freio descendo uma ladeira. Venceria o candidato que mais disseminasse notícias falsas nas redes sociais. Venceria, por que não, o que usou de má fé. Foi bem assim. Diante do mais completo caos a Justiça Eleitoral provou que, assim como os candidatos, muita gente estava e continua despreparada.

 Não havia qualquer meio de investigação, de parar o caminhão desgovernado, e o pior: não havia qualquer meio de punição. A coisa literalmente correu solta. A largada havia sido dada sem qualquer responsabilidade, norma ou preparo. Afinal, a internet é “terra de ninguém”.

2020 chegou. E adivinha? É mais um ano eleitoral. Desperdício de tempo e dinheiro, mas, enfim, são as eleições municipais. A única certeza que se tem deste ano é que o caos já se instalou mais uma vez. A largada ainda nem foi dada pelas leis eleitorais, mas ele, o caos, já chegou, e por onde? Por elas, as redes sociais. Chegou pela “terra de ninguém”. Desta vez, subiu de patamar. O caminhão que descia a ladeira sem freio agora é uma carreta enorme, desgovernada em uma pirambeira e sem nada de freio.

Divinópolis, como sempre, dá exemplo de como não fazer política. As regras da Justiça Eleitoral para as campanhas nem entraram em vigor, mas o que mais se tem na cidade é candidato em plena campanha, o que teria que se resumir apenas em pré e olhe lá. Todos em busca de sua vaga nos Poderes Legislativo ou Executivo. À caça de um salário que, diga-se de passagem, não é de se jogar fora. Não só dele, mas também das vantagens que o meio oferece! Resultado de trabalho mesmo é para poucos. No entanto, as brigas de ego saltam os olhos. Quem grava o melhor vídeo, qual tem mais curtidas, mais compartilhamentos, e o pior: qual candidato ofende mais o outro. No meio disso tudo, está o eleitor. O alvo deste caminhão desgovernado que toma conta da cidade. O eleitor que ainda não sabe escolher e que ainda não está preparado para a era digital. Que ainda espera por dias melhores e ainda acredita que é a “rainha" do jogo, mas não passa de um mero peão. O último nos interesses dos que se sentam em uma cadeira e têm um pouco de poder. O último “na fila do pão”, mas o primeiro que deve ficar atento a esta politicagem que nada faz de fato por ele.

Talvez tenha chegado, de fato, o momento em que o eleitor comece a ser a “rainha” do jogo e fique atento. Por mais que as redes sociais tenham força, é necessário trabalho, esforço, plano de governo, empenho, desejo de mudança. É imprescindível que as redes sociais deixem de ser escola de papagaio, porque a vida real é muito diferente da virtual, exige mais. Ela demanda doses diárias de sabedoria, de prática e, principalmente, de comprometimento. Ego não enche barriga de ninguém, mas pode, sim, rechear os bolsos de alguns.  

 

 

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