Efeito vacina: internações por covid têm queda considerável no último mês em Divinópolis

Com quase 40 mil doses aplicadas em 30 dias, ocupação geral dos leitos de UTI e enfermaria em Divinópolis caiu de 75% para 44%

Bruno Bueno

Os efeitos da vacinação contra a covid-19 começam a ser notados com mais clareza em Divinópolis. Conforme apuração exclusiva do Agora, a cidade atingiu, nos últimos 30 dias, uma queda considerável nas internações e na ocupação dos leitos de enfermaria e UTI. 

Os leitos de UTI, que no começo da análise tinham 92,7% de ocupação, caíram para 59%. Nos de enfermaria, que chegavam a 55,9%, houve redução para 37%. A queda também é notável no número de internações, com 76 a menos do que no começo da comparação.

A ocupação geral de todos os leitos da cidade, incluindo UTI e enfermaria, em todos os hospitais, caiu de 75% para 44%. A redução nos indicadores pode ser explicada justamente pela vacinação, visto que 39.917 doses foram aplicadas neste período, o maior número alcançado desde o começo da imunização.

Análise

Nos últimos 30 dias, a reportagem apurou os dados da ocupação dos leitos de enfermaria e UTI em todos os hospitais da cidade e comparou com o número de doses aplicadas no município neste mesmo período.

A análise começou no dia 14 de junho, quando Divinópolis tinha 75% de ocupação geral dos leitos em todos os hospitais da cidade. À época, 92,7% das vagas de UTI e 55,9% de enfermaria estavam preenchidas, com 102 pacientes internados no CTI e 95 na enfermaria. Naquele momento, 94.742 doses já haviam sido aplicadas.

Oito dias depois ‒ em 22 de junho ‒, o avanço da vacinação ‒ nesse momento 107.343 doses haviam sido aplicadas ‒ começou a apresentar resultados na cidade. A ocupação dos leitos totais da cidade caiu para 72%, enquanto os de UTI diminuíram para 81,8%, quase dez pontos percentuais em relação ao último período.

No dia 28, encerrando a comparação do mês de junho, o município apresentou novas quedas nos indicativos enquanto o número de doses aplicadas aumentava. A ocupação geral dos hospitais caiu, neste período, para 67%. Os leitos de enfermaria também apresentaram redução de 49,4%, dez pontos percentuais abaixo do primeiro dia de comparação. Naquele momento, Divinópolis já havia aplicado 112.898 vacinas.

Maior queda

A maior redução dos indicativos aconteceu no mês de julho. Logo no dia 1º, a ocupação geral caiu para 62%, enquanto a dos leitos de UTI diminuiu para 79%. O número de internados estava em 164, dado 33 vezes menor do que no primeiro dia de comparação. 

Sete dias depois ‒ 8 de julho ‒, os números continuaram descendo. A ocupação geral dos leitos de todos os hospitais do município chegou a 55%, com 141 pessoas internadas. O percentual na UTI chegou a 68%, queda de 11 pontos em relação à semana anterior. 125.391 doses aplicadas já haviam sido aplicadas naquele momento.

Outro declínio importante aconteceu um dia depois ‒ 9 de julho ‒, quando o município chegou à marca de 127.603 doses aplicadas. A ocupação dos leitos de UTI chegou a 61%, enquanto o preenchimento geral das vagas em todos os hospitais reduziu para 51%. O número de internações também sofreu queda, com nove vagas liberadas.

Por fim, a reportagem analisou o dia 13 de julho. Com 134.659 doses aplicadas, o município chegou ao índice de 44% de ocupação geral dos leitos em todos os hospitais da cidade. Na enfermaria, apenas 35,8% das vagas estavam preenchidas. 113 pessoas permaneciam internadas nos leitos de UTI e enfermaria, número significativamente menor do que 30 dias antes.

Balanço da comparação - 14 de junho versus 13 de julho

  • Ocupação geral dos leitos de UTI e enfermaria: queda de 75% para 44%;
  • ocupação dos leitos de UTI: queda de 92,7% para 59,2%;
  • ocupação dos leitos de enfermaria: queda de 55,9% para 37%;
  • total de internados em todos os leitos da cidade: de 197 para 121;
  • total de internados nos leitos de UTI: queda de 102 para 61;
  • total de internados nos leitos de enfermaria: queda de 95 para 60;
  • número de doses aplicadas no período: 39.917.

Polêmica

Mesmo com a eficácia da vacina sendo comprovada pela queda no número de internações, um caso envolvendo questionamentos sobre a competência dos imunizantes chamou atenção nesta semana. 

O médico e ex-vereador Delano Santiago publicou em suas redes sociais, na última terça, 13, um vídeo afirmando que recebeu a vacina CoronaVac e não adquiriu anticorpos contra a doença. Na publicação, ele apresenta um laudo médico atestando os fatos e alegando que não estaria protegido. Por fim, ele exigiu ser vacinado novamente. O vídeo foi assistido 20 mil vezes. 

Desmentiu

Com a tremenda repercussão das alegações do ex-vereador, a Prefeitura Municipal, por meio de nota divulgada, desmentiu, com base em informações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), as afirmações do médico.

— A SBIM, por meio de nota técnica, esclarece que a resposta imunológica desenvolvida pela vacinação não depende apenas de anticorpos neutralizantes. Há a estimulação do sistema imunológico de forma mais ampla, gerando também anticorpos não neutralizantes que agem de maneira diferente e a estimulação de células — disse.

Anvisa

O Executivo também usou o exemplo da nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Nacional (Anvisa) para desmentir o ex-vereador.

— A Anvisa, em nota técnica sobre o assunto, afirma que não existe, até o momento, definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para conferir proteção imunológica contra a infecção pela covid-19. Dessa forma, não há embasamento científico para recomendar o uso destes testes laboratoriais para determinar proteção vacinal — explicou.

Por fim, a Prefeitura citou as recomendações do Ministério da Saúde (MS), que afirmam que uma pessoa que já foi vacinada não pode completar o esquema de imunização com outra marca.

— O MS informa que os indivíduos que iniciaram a vacinação contra a covid-19 deverão completar o esquema com a mesma vacina. Afirma também que indivíduos que, por ventura, venham a ser vacinados de maneira inadvertida com duas vacinas diferentes ou com esquemas vacinais com quantidade de doses ou com prazos inadequados deverão ser notificados como um erro de imunização e serem acompanhados com relação ao desenvolvimento de eventos adversos e falhas vacinais — finalizou.

Repercussão negativa

A fala do ex-vereador gerou repercussão negativa no noticiário nacional. O nome de Divinópolis, incluído nas matérias com a foto do médico, foi parar nos tradicionais jornais mineiros O Tempo e Estado de Minas. Além disso, as páginas oficiais do Instituto Butantan, responsável pela produção da CoronaVac, e do Governo de São Paulo também rebateram. 

— É fake news, um desserviço à saúde, o vídeo que circula nas redes sociais em que um homem afirma não ter gerado anticorpos contra a covid-19 depois de ter tomado a CoronaVac. Ele exibe um teste de anticorpos que teria sido feito seis meses após tomar a vacina do Butantan — diz a nota do Instituto.

O portal G1, da Rede Globo de Televisão, o R7, pertencente à Record, e outros vários sites do país publicaram matérias desmentindo as afirmações do médico sobre a vacinação que, conforme os dados apresentados pelo Agora, reduziu consideravelmente o número de internações em Divinópolis.

 

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