Educação e livre-arbítrio

Prof. Antônio de Oliveira

 

Fundamental na educação o respeito ao livre-arbítrio, à faculdade de escolher. Desde que se respeitem os direitos alheios, pondo-se no lugar da outra pessoa, mediante empatia. “Um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas.” Esse é um dos ingredientes da Receita de Vida de Pedro Bloch. “O homem é capaz de reflexos maravilhosos, tanto ao volante como na vida civil. Até no crime. Tem sempre aquela centelha, aquela possibilidade de superação.” É o que Orígenes Lessa escreve em Memórias de um Fusca. Difícil admitir alguém totalmente mau, tampouco alguém totalmente bom. “L’homme n’est niangenibête”, pensamento de Blaise Pascal. O homem não é nem anjo nem besta.

 

De novo Orígenes Lessa: Os marginais são uns infelizes. Há os que nunca tiveram ensino e foram formados na escola do crime e das drogas. Nasceram no crime e aí permanecem. Todavia, têm momentos de ternura, gestos bonitos, como aquele “Graças a Deus” de um deles quando soube que uma criança escapara de um acidente automobilístico, resultado de imprudência ao volante.

 

Verbete que aqui emerge: centelha. Partícula ígnea ou luminosa que se desprende de um corpo incandescente. Lampejo, chispa, fagulha; centelha semiapagada no meio das cinzas, do borralho, mas centelha, potencial latente.

 

Portadores de diploma de curso superior, autoridades e políticos corruptos carecem de outra análise. Desvio de verba, superfaturamento, excesso de regalias, enfim, atos de corrupção podem prejudicar mais que crimes a mão armada. Isso quando esses mesmos autores não estão, a mão desalmada, mancomunados com traficantes e quadrilhas de crime organizado. Nesses casos o mau exemplo vem de cima. E lhes favorecem leis, advogados a peso de ouro, sentenças benevolentes. Um estigma sistêmico que tem maculado a trajetória histórica do Brasil: marca infamante, vergonhosa; desonra e desdouro. Vale o bordão: E o salário, oh!...

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