Editorial (27/09/2019) - Saco do Papai Noel

Mais um fim de ano se aproxima e os divinopolitanos seguem sem saber se a Companhia de Abastecimento e Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai entregar a Estação de Tratamento de Esgoto do Rio Itapecerica (ETE Itapecerica). História recheda de capítulos, que começou em 2011 e até hoje não teve fim. O contrato assinado pelo ex-prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) com a estatal previa que a ETE deveria ter sido entregue dezembro de 2016, e em pleno funcionamento em janeiro de 2017. Mas três natais já passaram e nada! A obra sempre fica para depois. Enquanto isso, quase toda a cidade paga a taxa de um tratamento que não é feito, ou seja, que não existe. Há quem diga que a Copasa é assim: por onde ela passa, deixa “cadáveres”. Deixa adiamentos, promessas e milhares de consumidores insatisfeitos.

Para quem não se lembra, passou o Natal de 2015 e não havia sequer sinal de ETE. Não havia um centímetro de cimento, de concreto batido, no local onde a Estação de Tratamento seria construída. Foi só em agosto de 2016, com o prazo de entrega quase se expirando, que o então prefeito, Vladimir Azevedo, resolveu agir. E em uma audiência realizada na Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Agua e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae), em agosto, ficou estabelecido que a obra deveria ser entregue e estar em pleno funcionamento em dezembro de 2018. No mês seguinte à audiência, foi feito um teatro daqueles, que só os políticos sabem fazer. Juntaram a imprensa, tiraram milhares de fotos e esparralharam aos quatro cantos de Divinópolis que a ETE seria entregue. Ledo engano.

Pois, 11 meses depois deste anúncio, as obras não tinham saído sequer da terraplanagem. O povo mais uma vez colocou o seu nariz de palhaço e acreditou piamente que, desta vez, o esgoto seria tratado e o rio Itapecerica, enfim, desassoreado e limpo. Enquanto isso, os inúmeros atrasos e aditamentos serviam apenas para palanque eleitoral. Quando não tinham mais assunto, a obra era o tema da vez. Mas não passava disso. As obras simplesmente continuavam paradas. O esgoto continuava caindo in natura no Itapecerica. Politicagem. Apenas para isso que a ETE Itapecerica serviu até agora na cidade e em Minas. Em 2017, a Copasa decidiu dar continuidade às obras, e seus representantes prometiam para quem perguntasse e para quem quisesse ouvir que, desta vez, as obras seriam entregues no prazo determinado pela Arsae: dezembro de 2018.

Mas, chegou o Natal de 2018 e o papel de bobos da corte estava pronto mais uma vez. A Copasa não entregou a ETE e continua impune com os seus abusos. A empresa cobra uma taxa por um serviço que não presta e ninguém toma providência. Não existe uma força política capaz de tomar uma atitude. Nem Arsae consegue fazer com que a companhia cumpra o prazo. E não existe uma só alma para defender o povo e evitar que ele pague por um serviço que não é prestado, como já acontece desde que este país se chama Brasil. A promessa agora é que a obra seja entregue em novembro próximo. Quem sabe, desta vez, a ETE não venha embrulhada de presente no saco do Papai Noel.

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