E o dever de casa?

Na última sexta-feira, 15, a Prefeitura divulgou uma nota onde trouxe a público a dívida que o Governo do Estado tem com ela. É número que não acaba mais. A dívida chega a quase R$ 5 milhões, apenas com o atraso do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Na saúde, a dívida é astronômica. São exatos R$ 54.413.338,85. Com tanto dinheiro para ser recebido do Estado, os divinopolitanos até tentam entender a Prefeitura e se valem da justificativa de que a Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h) está superlotada, porque o Governo do Estado não paga a sua parte há dois anos. Seria de cortar o coração se a Prefeitura tivesse feito o seu dever de casa.

É verdade — e incontestável — que tal dívida causa um impacto considerável no Poder Executivo. Mas é verdade também que hoje a Prefeitura está inchada. A atual administração se vale daquele velho discurso de falta de governo de transição, devido à situação eleitoral do prefeito Galileu Machado (MDB) na época, e mantém nomeados 207 cargos em comissão. Assim não há máquina pública que resista. Sem cortar na própria carne, a Prefeitura apenas “senta e chora”, quando o assunto é falta de dinheiro.

O atraso nos repasses do Governo do Estado é apenas um dos discursos de causar pena. O outro é que a dívida de R$ 60 milhões deixada por Vladimir Azevedo (PSDB) impossibilitou Galileu de cumprir as suas promessas de campanha, e investir na cidade.

Cada dia é um choro diferente. Mas o mais intrigante disto tudo é que a Prefeitura está quebrada, não tem dinheiro para nada, o 13° salário dos servidores é incerto, mas tem dinheiro para manter 207 cargos comissionados — no limite dos 221 criados por lei. Há um ano e meio exercendo o seu mandato, Galileu não cortou na própria carne. O prefeito e seus secretários decidiram diminuir o horário de atendimento da Prefeitura, diminuir as vagas de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), diminuir os medicamentos fornecidos na Farmácia Central, fechar as quatro Unidades Especiais de Atendimento, entre vários outros cortes para amenizar a crise, mas diminuir os cargos comissionados que é bom, nada.

Já diz aquele velho ditado: “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Dona dos discursos ensaiados, a atual administração parece não estar muito interessada em acabar com mamata de muitos. Afinal, se não tem como pagar as promessas feitas em campanha, os acordos eleitorais, no entanto, são mantidos em dia.

Enquanto os divinopolitanos quase se compadecem desses discursos ensaiados, e muito bem elaborados, o prefeito continua distribuindo cargos comissionados “a torto e a direito”. A estratégia de sentar e reclamar está funcionando perfeitamente. Os números são de impressionar e de dar pena. Se de um lado, tem uma Prefeitura que deita no chão e chora pela falta de repasse, e pela dívida herdada, por outro tem uma Prefeitura que mantém sua máquina inchada, com uma folha de pagamento altíssima e que tira de muitos o direito ao básico na cidade. O dever de casa que é bom, ninguém quer fazer!

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