E a UPA?

Desafio vocês a encontrar uma cidade no Centro-Oeste mineiro com tanto drama quanto Divinópolis. Quando as coisas parecem que vão sossegar, acontece algo e tudo desanda mais uma vez. Não é segredo para ninguém que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto é uma novela sem fim. Além de reduzir drasticamente o número de leitos de urgência e emergência na cidade, a unidade enfrentou duas grandes crises financeiras que quase levaram ao seu fechamento. Mas, enfim, tudo passou, tudo se resolveu (em partes). A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara não melhorou em nada a situação da UPA. E quando todos pensavam que, finalmente, “reinava a paz” na unidade, eis que a Prefeitura começa mais uma novela: a transferência dos servidores concursados para Unidades Básicas de Saúde (UBS).

E que novela...

Mexe com o papa, mas não mexe com servidor público, não. A regra não se aplica a todos, mas boa parte não gosta de trabalhar, atende mal os usuários do poder público, bate no peito que “entrou pela porta da frente” e não aceita mudanças. Quer ficar ali só na “maciota”. E, sejamos sinceros, o grande impasse entre servidores e Prefeitura é o pagamento da gratificação de 50% e 70% que os funcionários concursados recebem em seus salários por estarem na unidade. Uma vez, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), um deputado disse: “Esse show todo aí é por causa da economia, não existe pedalada fiscal, se a economia não estivesse em recessão, não tinha nada disso”. E é verdade. A briga toda é por causa da gratificação. Se os servidores continuassem recebendo o “a mais” em seus salários, mesmo atuando nas unidades básicas, nada disso estaria acontecendo. A transferência seria feita “sem um pio”.

E a economia?

A Prefeitura afirmou que, com a transferência dos servidores, o Município vai economizar R$ 8 milhões no ano. A economia é bem significativa. Não é como a da reforma Administrativa, que economizou apenas R$ 1.087 por mês dos cofres públicos. Chega a ser egoísmo não apoiar essa contenção, caso a intenção do Executivo seja converter esse dinheiro em melhorias para os divinopolitanos. Quem conhece bem o poder público sabe que quem trabalha de verdade são os cargos comissionados, na maioria das gestões (regra não se aplica a todos os servidores). Pois os comissionados não têm estabilidade, a maioria tem experiência na iniciativa privada, que tem o lema “ou trabalha ou é demissão”, e não tem “mamata”, não. Então, tomara que a Prefeitura e servidores cheguem a um consenso no qual o povo saia ganhando, e não apenas uma das partes.

Falando em Prefeitura

Falando em servidores, em Prefeitura, cadê o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, gente? Cadê essa pessoa que não é nomeada e não aparece? Enquanto isso, quem está cuidando do desenvolvimento econômico da cidade? Quem está trabalhando para fortalecer as políticas locais, para atrair novas empresas e valorizar as que já existem? Alô, Galileu, “o tempo urge e a Sapucaí é grande”. Divinópolis não está em condições de ficar no “salamê minguê”, não. Bate o martelo e “bora” buscar fomento para a economia local. Divinópolis precisa crescer. Não vamos deixar o tempo engolir a cidade, não.

Agora é a educação

O povo é muito engraçado: cobra tanto do poder público, mas, quando é para fazer sua parte, dorme no ponto. A Prefeitura teve de prorrogar o prazo do cadastramento escolar da rede pública de ensino porque houve baixa aderência. O limite era até 12 de julho e foi estendido até 15 de agosto. Então, vamos sair de trás das telas, largar os textões das redes sociais de lado e procurar a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para fazer o cadastramento. A responsabilidade mandou abraços.

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