Duas caras

Editorial 

Não, não é sobre a novela da Globo, levada ao ar entre 2007 e 2008.  Até porque há muito as novelas não atraem tanto, pois, se antes a vida imitava a arte, hoje a arte não tem conseguido acompanhar a vida. 

Faz-se mister chamar a atenção para o comportamento de muitos políticos por aí. É preciso destacar a distância entre o discurso de candidato e a atuação quando eleito. Para entender bem e não se deixar enganar com a fala mansa e depois de eleito “nem te ligo”, ou seja, descaradamente, duas caras, é preciso distinguir se é distúrbio psiquiátrico ou se é cara de pau, mau-caratismo mesmo. 

Segundo o Google, cara de pau é a  “pessoa que não tem limite e bom senso na hora de falar”. Faz o que quer, do jeito que quer e não importa o que pensem ou o constrangimento que ela pode causar, pois não se importa em chocar as pessoas com seus atos e palavras, e ainda acha bom mesmo que todos achem o contrário. E aí, já identifica alguns candidatos? 

Quanto ao transtorno dissociativo da personalidade (TDI), doença psiquiátrica cujo estudo começou com Sigmund Freud no fim do século XIX, segundo o portal Psicanálise Clínica, “Anteriormente conhecido como transtorno de múltiplas personalidades, o dissociativo de identidade é um quadro onde existem duas ou mais personalidades. Com isso, se conclui que várias identidades convivem em uma só mente, dividindo o espaço onde deveria ter apenas uma”.  Mas não se trata de um mal apenas  associado a traumas na  infância. Está também ligado a eventos trágicos na fase adulta. E não estamos diante de uma pandemia?  

"Não é um transtorno comum. É um fenômeno que cria uma aura de mistério, sempre retratado na literatura e no cinema porque desperta o interesse", descreve o psiquiatra Marcos Alexandre Gebara, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

No cinema foi primeiramente retratado no filme “Psicose”, de Alfred Hithchock, ao colocar Anthony Perkins no papel do perturbado Norman Bates. Quem não se lembra da cena do chuveiro? 

Na vida real, um dos casos mais conhecidos de TDI é da australiana Jeni Haynes, que desenvolveu 2,5 mil personalidades para sobreviver aos abusos de seu pai. Jeni, inclusive, utilizou duas dessas personalidades como testemunhas no caso que a justiça moveu contra seu pai, Richard Haynes, e conseguiu sua condenação. 

Na política, lembra quando o indivíduo que concorreu em nada lembra o que foi eleito. Parece até outra pessoa.

E, claro, não se pode esquecer dos que parecem bipolares, pois se apresentam de muito bom humor, alegres em período eleitoral e, passado o pleito, só se vê irritação, mesmo tendo vencido.

Há ainda os ególatras, os que cultuam a si próprios, no meio de tanto “eu posso”, “eu faço”, “eu consigo”, e, depois de eleitos, a soberba os impede de se lembrar de seus eleitores.

E há muitos outros transtornos, e um diagnóstico com precisão só um médico poderá dar. Aqui temos apenas bons exemplos, após ampla pesquisa. Quantos loucos já chegaram ao poder pelo voto direto? Quantos genocidas? Quantos durante a campanha passam a pastel de feira e, eleitos, colocam nas contas públicas pedidos de carnes nobres e vinhos premiados, mesmo diante de uma crise econômica grave, uma pandemia? Não têm o menor pudor em fazer tais pedidos, nas costas de um povo faminto, de uma nação com mais de 15 milhões de desempregados. Essas pessoas, que só chegaram lá graças ao voto de cada um,  são normais? Ou tudo isso é mau-caratismo mesmo? 

Estudar, analisar cada candidato, ver se mostra a sua  verdadeira cara durante a campanha e mantém o discurso se eleito não é direito, é obrigação de cada um. Aos que tentaram no pleito passado e foram eleitos ou não, vale lembrar que seus discursos de quatro anos atrás ainda estão nas redes. Compare!  Isso ajudará a espantar os portadores de algum distúrbio e os caras de pau! A limpeza pode ser histórica! É preciso lembrar que nem moeda tem duas caras, mesmo tendo dois lados, político é que não pode ter mesmo! Mãos à obra! Os divinopolitanos agradecem!

 

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