Domingo é dia de histórias e brincadeiras

“Passa na Praça” visa levar famílias e alegria ao espaço

Jorge Guimarães

As praças sempre foram um local democrático, aberto ao público. Elas se configuram como lugar onde se promove a descentralização do saber. Quando não cumpre seu papel de agregadora do conhecimento, é abandonada pela população, e resgatá-la se torna uma tarefa árdua, que demanda enorme esforço do poder público e grande mobilização da sociedade para sua recuperação. É pensando nisso que o artista Juvenal Bernardes promove, no próximo domingo, 23, às 10h, mais uma edição do projeto ‘Passa na Praça’. O evento acontece na praça da Catedral.

Projeto

O artista e agitador cultural Juvenal Bernardes propõe um novo projeto de ocupação das praças de Divinópolis: o “Passa na Praça”.

— A ideia é ocupar as praças com atrações culturais de baixo impacto. A princípio, vamos levar histórias, livros e brincadeiras. Depois, queremos ampliar as possibilidades e trazer artistas plásticos, músicos e tudo mais que for possível levar para uma praça — detalha o também escritor Juvenal Bernardes.

Objetivo

Além da mobilização, Juvenal tem outros objetivos.

— Quero aquecer o debate sobre a ocupação artístico-cultural de nossas praças. Aqui em Divinópolis, há um emperrado processo burocrático para se conseguir um alvará para eventos como este. É um processo lento, demorado, desgastante. Criam-se tantos empecilhos, demora-se tanto, que o empreendedor cultural acaba desanimando — avalia.

Burocracia

Integrante da Cia. Borandá, durante quatro anos Bernardes ocupou a praça da Catedral com o projeto “Borandá no Museu”. Uma das razões para o projeto ter sido abandonado foi justamente a burocracia para conseguir o alvará.

A nova ação, que teve início em abril, convida a população para este debate importante. Para Bernardes, é necessário requalificar o espaço público, atrair as famílias e, assim, afastar das praças problemas relacionados à violência, como furtos e consumo de drogas.

— Parafraseando Castro Alves, eu digo que “A praça é do povo / como o céu do passarinho”. A ressignificação das praças com o nosso projeto vai acontecer de uma forma leve, sem grande espalhafato. Mas o cidadão tem que ter o direito a este espaço, ele precisa gostar das praças de sua cidade. É preciso devolver este espaço para as pessoas — define o artista.

Catedral 

A princípio, o projeto ficará restrito à praça da Catedral. Mas a ideia é torná-lo itinerante e passar por outras da cidade, estimulando, assim, a descentralização das ações culturais.

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