Doações de múltiplos órgãos em 2019 já são quase o dobro do ano passado

 

Maria Tereza Oliveira

O que significa o fim para alguns pode ser um novo começo para outros. Esta é uma das principais vantagens da doação de órgãos. Na última terça-feira, 27, o Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) recebeu uma equipe do MG Transplantes para a retirada de múltiplos órgãos para doação. Foram retirados rins, fígado e córneas, que serão repassados para pacientes que aguardam na fila de espera.

A equipe do MG Transplantes foi formada por seis profissionais, que, juntamente aos médicos legistas, às equipes de enucleação, Unidade de Tratamento Intenso (UTI) Adulto e Bloco Cirúrgico do CSSJD, realizaram a retirada dos órgãos.

De acordo com o Complexo, o processo durou cerca de três horas e os órgãos recolhidos podem ser encaminhados para até cinco pessoas que aguardam na fila de espera.

O CSSJD se mantém entre os cinco maiores hospitais de Minas Gerais que são considerados referência neste processo.

De acordo com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott), as doações de múltiplos órgãos em 2019 já ultrapassaram as de todo o ano passado.

Familiares

Mesmo no momento de luto, é importante se conscientizar na diferença que o gesto acarreta na vida de outras pessoas.

Conforme destacou o diretor técnico e médico nefrologista do CSSJD, Eduardo Gomes Mattar, os profissionais da Cihdott mantêm o trabalho constante de conscientização das famílias, assim como a produção de campanhas internas e externas sobre o tema.

— Mantemos sempre os nossos profissionais da Comissão em constante atualização e interação com o MG Transplantes, com o intuito de conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos — reforçou.

Para ser um doador póstumo, é importante conversar com a família sobre esse desejo e deixar claro que eles devem autorizar a ação. No Brasil, o ato só será feito após a autorização familiar.

Pela legislação, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, no entanto, observa-se que, na maioria dos casos, quando a família tem conhecimento do desejo, este é respeitado.

Por isso a informação e o diálogo são absolutamente fundamentais, essenciais e necessários. Essa é a modalidade de consentimento que mais se adapta à realidade brasileira. A previsão legal concede maior segurança aos envolvidos, tanto para o doador quanto para o receptor e para os serviços de transplantes.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Escolha de ser doador

Não é necessário estar morto para se tornar doador de órgãos importantes. A doação pode ser feita em vida para membros de família até o quarto grau. Isso inclui pais, irmãos, avós, tios, sobrinhos, primos e netos, além de cônjuges.

Entretanto, além do parentesco, só é possível fazer a doação com autorização judicial.

Para que isto seja possível, o doador precisa estar em bom estado geral de saúde, ou seja, não ter doença infecciosa ou incapacitante; ter completado a maior idade; a doação não pode comprometer as aptidões vitais do doador e o contemplado precisa estar com indicação terapêutica indispensável de transplante.

Após isso, o doador deve comparecer à unidade hospitalar em que o receptor é acompanhado e fazer exames de compatibilidade. Caso doador e paciente sejam compatíveis, ambos serão encaminhados para acompanhamento multidisciplinar e depois é agendado o transplante.

Setembro Verde

No próximo mês é comemorado o “Setembro Verde”. A data tem o intuito de celebrar a Campanha Nacional de Doação de Órgãos.

O CSSJD já adiantou que está preparando uma agenda de atividades durante todo o mês com vistas à promoção desta campanha. Segundo a Cihdott, desde o início do ano, já foram retirados para doação 67 pares de córneas e dez doações de múltiplos órgãos, incluindo coração, rins, fígado e pulmão.

Os números de doações múltiplas de 2019 representam quase o dobro de todo ano passado. Isso porque, em 2018, foram registradas seis, enquanto neste ano já são dez.

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