Divinopolitanos vão votar em 528 seções

Maria Tereza Oliveira

Faltando três dias para as eleições, todo aparato da Justiça eleitoral já está preparado. São quase 600 urnas para atender 528 seções. Mas, apesar de o pleito está tão próximo, muitas pessoas ainda estão cheias de dúvidas. Nos últimos dias vem circulando nas redes sociais diversos boatos sobre fraudes nas urnas eletrônicas, se tornaram cada vez mais comuns. Até montagens usando capas de revistas famosas foram feitas para colocar em dúvidas a segurança dos equipamentos.

Segundo a chefe de cartório da 103ª Zona Eleitoral, Cíntia Oliveira Creco, todo o trabalho da Justiça Eleitoral visa à garantia da legitimidade do processo eleitoral. Ela explica que a urna passa por várias auditorias, desde antes do dia da votação.

Seis meses antes do pleito, a Justiça Eleitoral libera programas que serão usados pelos representantes dos partidos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público para fiscalizarem as urnas.

Apuração

De acordo com Cíntia, após a votação ser encerrada, às 17h, os mesários fecham as urnas e, em cada uma, são impressas cinco vias do boletim de urna.

O boletim traz identificação da seção eleitoral, identificação da urna, número de eleitores que votaram na seção e o resultado por candidato e legenda.

Uma das cópias é afixada na porta da seção eleitoral. Esta fase é aberta ao público e qualquer pessoa pode acompanhar. O cartão de memória, com informações do boletim, é retirado e encaminhado ao cartório eleitoral.

No cartório são enviados ao Tribunal Regional Eleitoral (TER) através de uma rede virtual privada da Justiça Eleitoral.

Logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) computar os dados enviados pelos TREs, publica a contagem em tempo real na internet.

Todas as fases são acompanhadas pelos fiscais dos partidos políticos.

Desde 2016, todos os boletins de urna vêm com um Qr code que permite aos eleitores registrarem e verificarem se o resultado confere com o que chegou ao TER.

Boatos

Uma das principais acusações é de que a Justiça Eleitoral (JE) teria entregado códigos-fonte da urna eletrônica para uma empresa venezuelana.

Por meio do site do TSE, a JE negou a acusação e destacou que nunca entregou os códigos para qualquer empresa privada, seja estrangeira ou nacional.

O órgão explica que grande parte destes boatos surge porque a maioria dos eleitores tem desconfianças em relação à segurança das urnas.

De acordo com o TSE, a urna eletrônica utiliza tecnologias modernas de criptografia, assinatura e resumo digitais, para garantir a autenticidade e o sigilo das informações inseridas no sistema, além dos dados armazenados durante a votação.

Desde 2009, o TSE faz testes públicos de segurança, que consistem em ter durante alguns dias, investigadores, especialistas e hackers tentando quebrar os dispositivos de segurança da urna eletrônica. Até hoje, poucas fragilidades foram detectadas, e, a partir delas, soluções foram desenvolvidas e os técnicos foram convidados para testar o sistema novamente.

Outro agravante para a desconfiança em relação às urnas eletrônicas é de que alguns países não as adotaram em seus pleitos.

Entretanto, atualmente, diversos países utilizam voto eletrônico com regularidade, total ou parcialmente, e outros ainda estão testando e desenvolvendo soluções próprias. Mas em nenhum local a votação acontece exatamente como aqui.

O TSE explica ainda que a urna eletrônica brasileira não é um produto disponível no mercado e que pode ser exportado para qualquer país da forma como funciona aqui. A votação eletrônica, da forma como ela acontece hoje, foi uma solução pensada no Brasil e para o Brasil, adequada aos problemas e necessidades específicos do sistema eleitoral brasileiro.

Por outro lado, vários países já o consultaram para conhecer a tecnologia e algumas parcerias já foram firmadas, para compartilhar conhecimento.

Há também casos de países que desenvolveram sistemas informatizados próprios e outros que julgaram alto o custo do voto eletrônico.

Urnas na cidade

As urnas eletrônicas chegaram a Divinópolis em agosto. Quase 600 foram trazidas para atender as 528 seções eleitorais distribuídas na cidade e na zona rural.

Atualmente, elas estão nos cartórios eleitorais e foram lacradas na semana passada.

Segundo o cartório eleitoral, assim que chegam na cidade elas passam por vistorias para verificar se não há defeitos e, nas vésperas das eleições, são acrescentados os dos candidatos e partidos da região. Na véspera da eleição ficam no quartel da Polícia Militar (PM).

Fim da propaganda eleitoral

Termina hoje a propaganda eleitoral obrigatória nas rádios e na TV. Após 35 dias de interrompendo a programação, elas dão uma folga, para retornarem no dia 12, caso haja 2º turno.

 

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