Divinopolitano cria ‘uber dos imóveis’

Ana Laura Corrêa

O engenheiro André Penha, criado em Divinópolis, tem se destacado em todo o país com a start-up “QuintoAndar”, criada em parceria com o belo-horizontino Gabriel Braga.

Por meio da start-up, é possível alugar um imóvel sem fiador, seguro fiança ou depósito caução, sendo necessário somente ser aprovado na análise de crédito. Além disso, é possível agendar visitas on-line, fechar negócios direto com o proprietário e assinar um contrato digital, sem enfrentar filas em cartório. Os anúncios de imóveis são verificados, têm fotos profissionais e imagens em 360 graus. A QuintoAndar, de acordo com André, tem crescido 20% ao mês.

— Acho que a principal diferença do QuintoAndar para proprietários é que, pelos mesmos 8% de taxa de administração (que uma imobiliária cobraria), a gente assegura o pagamento todo mês sem atraso, mesmo se o inquilino eventualmente atrasar ou deixar de pagar. Além disso, tem uma proteção contra danos de até R$ 50 mil reais, por exemplo, se o inquilino devolver o imóvel em condições inadequadas, a gente cobre o prejuízo e depois acerta com o inquilino. Então, para o proprietário, é máxima tranquilidade e o melhor retorno de investimento do mercado — afirmou o engenheiro.

 História 

André é formado em engenharia de computação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e chegou a abrir duas empresas de videogame depois que saiu da graduação.

— Essas empresas meio que funcionaram, mas nunca cresceram muito. Pagava as contas, mas não resolvia nenhum problema importante no mundo — disse.

Segundo André, em 2009, então, ele decidiu que gostaria de fazer algo que realmente tivesse impacto na vida das pessoas.

—Só que eu não sabia como. Então eu fui aprender. Candidatei-me para um MBA em Stanford, a universidade em torno da qual se criou o Vale do Silício, na Califórnia — contou.

 Criação

 Foi no MBA em Stanford que ele conheceu o sócio, Gabriel.

— Sentamos para conversar sobre qual problema grande nós poderíamos resolver e aí entendemos que aluguel era um problema muito chato, que afetava muita gente, em um mercado gigantesco e que ninguém no mundo estava resolvendo — disse André.

A dupla decidiu, então, voltar para o Brasil depois do MBA de dois anos e criar a QuintoAndar.

— A gente voltou para o Brasil em 2012, com pouquíssimo dinheiro no bolso e cada um com uma dívida de 200 mil dólares do MBA. Até hoje a gente está pagando as dívidas, diga-se de passagem, mas a gente voltou entusiasmado para resolver o problema de aluguel. Começamos em Campinas, entramos no ar em 2013 e operamos só em Campinas por um ano — afirmou.

Em 2014, de acordo com André, a QuintoAndar começou a funcionar com imóveis também em São Paulo e a empresa começou a crescer um pouco.

— Em 2015, a gente levantou investimento com fundos de venture capital pela primeira vez. Foram 7,2 milhões de dólares. Até então, todo nosso dinheiro era investimento de colegas de Stanford que tinham acreditado na nossa ideia. A empresa então conseguiu contratar gente o suficiente para resolver os problemas mais críticos de produto e foi melhorando. Em novembro de 2015, lançamos o "aluguel sem fiador", que era nossa ideia desde o início. Logo mais, em 2016, lançamos o contrato digital. E pouco a pouco fomos melhorando — contou.

André disse que, em 2016, ele e o sócio levantaram mais uma rodada de capital, com outros fundos, dessa vez de mais 13 milhões de dólares.

— Em 2017, a gente focou em deixar a companhia mais eficiente pra continuar crescendo. Mudamos processos, trocamos muita coisa no nosso software. Em 2018, com capacidade de expansão e com dinheiro em caixa, estamos expandindo Brasil afora — afirmou.

 Atendimento

Até abril, a empresa já funcionava somente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Agora, a QuintoAndar também está se expandindo para Belo Horizonte, Brasília e Goiânia.

— Gosto muito de Divinópolis e vou ficar muito orgulhoso quando pudermos funcionar na cidade. Nesse momento, no entanto, nosso exercício é focar nas maiores cidades do Brasil. Então, não há previsão ainda para o interior de Minas. Por enquanto — afirmou.

 

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