Divinópolis usará UPA como hospital de campanha contra coronavírus

Matheus Augusto

As ações para conter o avanço do coronavírus (Covid-19) em Divinópolis seguem sendo elaboradas. A última delas é a destinação de vagas para pacientes que possam precisar de internação. O secretário de Saúde, Amarildo Sousa, informou ontem que o estacionamento Unidade de Pronto Atendimento (UPA) servirá como um hospital de campanha, com 40 leitos destinados a pacientes com casos suspeitos ou confirmados da doença. No local, serão instalados contêineres refrigerados. A estrutura deve chegar hoje; ontem, os esforços foram dedicados a reforçar a rede energia elétrica e sanitária. 

Prevenção

A ideia, segundo o secretário, foi desenvolvida pela equipe técnica da Semusa e a administração do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS). Juntos, eles traçaram o plano de enfrentamento à doença com esta medida. O documento foi enviado à Secretaria de Estado de Saúde (SES), em paralelo ao plano regional de leitos. A estrutura contará com 20 leitos de suporte avançado de vida com respiradores e 20 leitos de observação.

— Esse plano foi aprovado pelo Estado e vem paralelamente às ações regionais, que Divinópolis também vai participar, para que sejamos atendidos em leitos extras, porque ainda não sabemos se eles serão suficientes e não poderíamos esperar mais. Vamos rapidamente instalar esse leito para que a gente possa passar por essa crise da melhor maneira possível — ressaltou o secretário.

Com as mudanças, a UPA funcionará como uma “grande hospital de campanha”, sem afetar o atendimento da unidade.

— A estrutura física ficará para urgências e pacientes com sintomas respiratórios, e a área dos contêineres para os atendimentos de rotina da UPA. Estaremos separando os dois atendimentos, porque os pacientes que são acometidos por alguma enfermidade, que não o coronavírus, continuarão a adoecer e eles precisam de um pronto-atendimento — frisou.

A previsão é de que, a partir de segunda-feira, 30, seja iniciado o processo de contratação de 40 técnicos de enfermagem, oito enfermeiros, um coordenador médico, 16 médicos intensivistas, oito auxiliares de serviços, dois agentes administrativos, dois fisioterapeutas, um psicólogo e um coordenador geral. Assim como a UPA, o hospital de campanha é destinado à população de Divinópolis, Carmo do Cajuru, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste. 

Questionado se essa estrutura será suficiente para atender à demanda, Amarildo argumentou que, no momento, sim, mas não é possível prever o cenário vivido pela cidade nos próximos 15, 30 dias.

— O caráter da pandemia não nos permite fazer uma previsão desse tipo — declarou.

O secretário também comunicou que o investimento aprovado é de quase R$ 1,5 milhão mensais, bancado pelo plano de contingência estadual. O valor prevê a compra de todos os insumos e materiais para atender os pacientes. No entanto, como pontuou Amarildo, caso não seja necessário adquirir todos os materiais, o montante não será utilizado em sua integralidade. 

Restrições

Quase todo o comércio divinopolitano continua fechado. Até a última semana, a previsão é que os estabelecimentos voltassem a funcionar normalmente a partir do dia 6 de abril, data marcada pelo decreto municipal. No entanto, Divinópolis se alinhou às determinações do governo de Minas e, agora, todas as medidas impostas vigoram por tempo indeterminado. 

— O decreto de hoje [ontem] se alinha ao governo do Estado e traz ações semelhantes. Não há conflitos com as ações que a gente já havia adotado no município, fizemos apenas alguns ajustes que precisam ser feitos para a gente ficar junto com o Estado nas medidas restritivas — destacou o secretário.

O responsável pela pasta ainda ressaltou que havia pequenas diferenças entre o decreto estadual e municipal, pois a cidade elaborou seu plano de enfrentamento ao coronavírus antes de o governo de Minas redigir suas determinações.

— Nós saímos na frente. Teve um delay de tempo: o decreto estadual foi publicado seis dias após o decreto municipal. Nós adiantamos nossas ações e eu tenho confiança de que colheremos bons frutos por causa disso — afirmou.

Ainda segundo o secretário, no primeiro momento, todas as medidas adotadas pelo Município tinham como base, exclusivamente, o perfil de Divinópolis, primeira cidade a registrar um caso confirmado de Covid-19 no estado.

Uma mão lava a outra 

Durante a coletiva, ao lado do secretário de Saúde, o líder do governo na Câmara, Eduardo Print Jr. (SD), anunciou uma ação para a higienização de pontos de ônibus. O vereador é um dos responsáveis por articular uma parceria com o Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd). Através da doação de R$ 5 mil, carros de fumacê farão a higienização de pontos de ônibus e áreas hospitalares. 

— Com esse efetivo mais um corpo de voluntários organizado pelo vereador, a partir de hoje [ontem], estaremos fazendo a higienização com cloro, através do sistema de pulverização, de fachadas de hospitais e pontos de ônibus — explicou o secretário.

O efetivo citado por Amarildo se refere à equipe de Vigilância Sanitária e de Epidemiologia. Conforme contou, por ordem de um decreto federal, os agentes de endemia e comunitários foram orientados a deixar de visitar residências e se juntar à Secretária para ajudar no combate ao coronavírus.

Segundo Eduardo Print, a ação se faz necessária diante do fato de que, mesmo o fechamento de boa parte do comércio, tais locais concentram uma considerável aglomerações de pessoas. O intuito é minimizar o potencial de contágio das pessoas pelo vírus.

— Essa ação não vai ter eficácia 100%, não significa que a cidade estará imunizada e que as lojas vão abrir a partir de amanhã — ressaltou.

Com o recurso doado, foi feita a compra de luvas e a aquisição de cloro. O vereador afirmou que a ação deve se estender de segunda a sexta-feira, até quando o estoque do químico durar. Print ainda finalizou dizendo que outras cidades já estão se adaptando à realidade da pandemia e é fundamentak unir força para reduzir os prejuízos financeiros na cidade e da Prefeitura.

Pessoas na rua

Sobre a possibilidade de multar pessoas que estivesse na rua sem necessidade comprovada, ação classificada pela PM como “sem bases legais”, o secretário de Saúde explicou não ter sido essa a decisão, em contrariedade ao divulgado pela própria Prefeitura. Segundo Amarildo, trata-se apenas de uma abordagem para orientar a população sobre a importância do isolamento social.

— Na primeira hora dessa crise, as forças de segurança de Divinópolis prontamente se dispuseram a apoiar nossas ações. (...) A PM e as forças de segurança vão abordar as pessoas para orientá-las, para que elas não se exponham à contaminação. (...) E, com a colaboração de cada um, vamos superar isso — finalizou.

Dados

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem pela Semusa, Divinópolis manteve as 232 notificações. No entanto, o número de casos suspeitos descartados dobrou, chegando a 32. Nenhum outro paciente testou positivo para o coronavírus.

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