Divinópolis tem quatro casos de caxumba

Gisele Souto

Apesar de algumas cidades do estado já registrarem muitos casos de caxumba — o que ainda não é considerado um surto —, a situação em Divinópolis ainda é tranquila. A afirmação é da Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS).

As autoridades de saúde e a população já começam a se preocupar por causa da epidemia registrada em Minas Gerais no ano passado. Somente nos seis meses de 2017, foram 1.883 pessoas infectadas no Estado.

Casos

De acordo com números da SRS, foram 424 casos de Caxumba notificados no Sistema Nacional de Agravos e Notificação (Sinan) entre 2007 e 2018, na Região Centro-Oeste. A quantidade é considerada normal, segundo a SRS. Em 2016, foram 69 casos da doença. Já em 2017, este número foi de 89. Em 2018, até o momento, são 47.

Divinópolis registrou, em 2016, quatro casos; no ano passado, 9. Neste ano, já são quatro também.

No estado, o número registrado no Sinan é de 845 em 2018. Em 2016, houve 3.019 notificações. Em 2017, o número foi de 3.729.

Vacina

A principal forma de prevenir a doença é a vacina, a tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola. O problema é que ela foi aplicada em dose única somente até 2006. Agora, a imunização contra a doença exige duas para pessoas de até 19 anos. Assim, tem-se o risco de quem tomou apenas uma dose contrair a doença. O temor é de que o país tenha uma geração jovem que não tenha sido vacinada ou tomado apenas uma dose. Especialistas acreditam que este seja o motivo do aparecimento de tantos casos.

A doença

O epidemiologista Osmundo Santana explica ainda que a caxumba é infecciosa, causada por vírus e apresenta como principais sintomas a inflamação das glândulas salivares, principalmente as paródicas. Elas se localizam, segundo ele, próximo aos maxilares.

— A maior parte dos casos ocorria na infância, mas, com a mudança na vacinação, está acometendo também pessoas mais velhas. Embora seja uma doença de evolução benigna, podem ocorrer algumas complicações, inflamando testículos, ovários e até a ocorrência de meningite em alguns casos — revela.

Contagiosa

Por ser contraída por via oral, a caxumba é altamente contagiosa. Assim, a recomendação médica é de que quem esteja com doença fique afastado pelo menos nove dias do contato, para evitar novas transmissões, além do cuidado com higiene das mãos e do material que o infectado tenha manuseado.

Osmundo explica também que a pessoa acometida da doença sente febre, dificuldade para engolir, mal-estar e perda de apetite. Diz ainda que esta época do ano é propícia para a proliferação da caxumba, devido às baixas temperaturas e o tempo seco.

— Com ela, acontece a mesma coisa de outras doenças transmitidas pelo ar, como gripe e outros quadros respiratórios. Geralmente, ocorrem os surtos no outono ou inverno e ainda não dá para afirmar se este ano vai ser igual, maior ou menor em termos de quantidade em relação a 2017. Isso porque agora que o tempo está começando a mudar — explica.

Para prevenir, a vacina, segundo Osmundo, precisa atender 95% do público-alvo.

— Não existe um tratamento específico para a caxumba, é feito um tratamento sintomático por meio de analgésico e antitérmico, sendo necessário repouso absoluto e isolado durante o período de infeccioso — finaliza.

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