Divinópolis tem quase quatro mil casos de dengue

 

Matheus Augusto

A preocupação com o avanço da dengue em Divinópolis continua. Os dados, divulgados ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), apontam 3.975 notificações da doença na cidade. Destas, 1.656 pacientes já tiveram o diagnóstico confirmados. Outros 272 casos foram descartados e 2.047 continuam em análise.

Em 19 de junho, a cidade contabilizava 3.767 notificações e 1.557 casos confirmados. Ou seja, em duas semanas, 208 novas ocorrências foram registradas, bem como 99 novas suspeitas confirmadas.

Em todo o ano de 2018, Divinópolis teve 159 notificações e 77 casos confirmados.

A cidade também tem um caso suspeito de chikungunya e dez casos suspeitos de zika.

Ações

Para impedir o avanço da doença, a Prefeitura tem realizado, desde o fim de janeiro, ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, também transmissor da chikungunya e da zika. Uma das medidas anunciadas foi a retomada dos mutirões de limpeza nos fins de semana para o recolhimento de entulhos nos bairros, a fim de evitar ambientes propícios para o desenvolvimento dos focos. O “Dia D” de combate a dengue também foi adiantado.

Além disso, a Prefeitura deu continuidade às visitas dos agentes de saúde aos imóveis, bem como promoveu ações educativas dentro das escolas.

Como a procura por atendimento a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto cresceu 30%, a Prefeitura passou a separar os pacientes de acordo com a gravidade dos sintomas apresentados. Inicialmente, a pessoa é atendida na unidade de saúde local. Tratando-se de um caso leve, ela pode receber os cuidados na própria unidade ou ser encaminhada para hidratação no ambulatório, instalado na Policlínica desde o fim de abril.

Pacientes com sintomas de dengue mais graves continuam sendo atendidos na UPA. 

Mortes

A Semusa divulgou, em abril, a morte de dois idosos em decorrência da dengue. Como é parte do procedimento, as amostras foram recolhidas e enviadas para a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para análise e confirmação do diagnóstico. No entanto, dois meses após o conhecimento dos casos, o órgão estadual ainda não validou a causa da morte.

De acordo com a Superintendência Regional de Saúde (SRS) em Divinópolis, a demora para confirmar as mortes se deve ao volumoso número de casos em análise em todo o estado. Apesar disso, o Governo do Estado já comprovou que 98 pessoas perderam a vida em consequência da dengue.

Mês a mês

Divinópolis é classificada pela SES com incidência muita alta, o indicador mais elevado. A cidade tem uma média de 1.580,24 notificações para cada grupo de 100 mil habitantes. 

O ritmo da dengue começou lento neste ano, no entanto, já maior do que em 2018. Em janeiro, Divinópolis teve 31 pacientes com sintomas da doença; em fevereiro, 141; e em março, 187. Em abril, a situação também já se mostrava preocupante, com o surgimento de 833. O cenário mais grave foi em maio, quando a cidade registrou 1.717 novas suspeitas.

No mês passado, o município teve 723 notificações.

Minas Gerais

Apenas neste ano, Minas Gerais já registrou 427.585 casos prováveis, incluindo confirmações e suspeitas de dengue. O balanço mês a mês apresenta uma redução de ocorrências entre maio e junho. A expectativa da SES é que, com temperaturas mais amenas, os números continuem em queda. Enquanto em maio foram contabilizadas 130.960 notificações, junho teve “apenas” 19.655.

Em anos de epidemia, como em 2013 e 2016, o número de casos começava a desacelerar já entre abril e maio. Porém, neste ano, essa redução aconteceu apenas no mês seguinte.

As autoridades de saúde de Divinópolis, em reunião em maio na Superintendência Regional de Saúde (SRS), alertaram que o Ministério da Saúde sinaliza o ano de 2020 como ainda pior do que 2019 em relação à dengue. A declaração é feita com base em análises do considerado ciclo da dengue.

 

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