Divinópolis tem primeira morte pelas chuvas

Da Redação

Uma idosa, de 81 anos, morreu na madrugada de ontem, dois dias após ser retirada dos escombros de sua casa, que desabou por volta das 13h30, da última sexta-feira, 24, na rua do Cairo, no bairro Mangabeiras. A informação foi confirmada pelo Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), onde ela estava internada desde o dia do acidente, após ser transferida da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A instituição, no entanto, não informou a causa da morte. A Defesa Civil solicitou um laudo pericial para tomar as devidas providências, como notificar o Estado sobre a morte em decorrência das chuvas.

Entre a última sexta-feira e domingo, a Defesa Civil registrou a queda de 223 milímetros de água na cidade.

Tragédia

A casa desabou no início da tarde de sexta-feira, no bairro Mangabeiras. O casal de idosos, ambos naturais de Portugal, morava no imóvel há quase 15 anos, porém a estrutura não resistiu a quantidade de água e cedeu. O homem, de 82 anos, ao notar a queda, conseguiu deixar a residência. No entanto, sua esposa ficou presa entre os escombros, teve sua perna ferida e precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros.

Conforme informou a Defesa Civil, o órgão já havia recomendado ao casal que deixasse o local pela fragilidade da estrutura.

Ocorrências

Segundo o balanço deste final de semana, a Defesa Civil registrou 30 chamadas. Um delas ocorreu na sexta-feira, dia do desabamento. Segundo a denúncia, um outro imóvel corria risco de desmoronamento na cidade.

— A Defesa Civil recebeu informação sobre o risco de uma casa desabar no bairro Alvorada. A equipe compareceu ao local e, no momento, não constatou perigo iminente. O órgão orientou os moradores a fazerem reparos na cozinha — ressaltou.

Estatística

A medição da Defesa Civil, durante o dia de ontem, apontava o volume de água do rio Itapecerica 95 centímetros acima do leito normal, ou seja, dentro da sua capacidade do escoamento. A situação é considerada preocupante quando o volume ultrapassa um metro, como ocorreu no sábado, quando o rio subiu 1,5 metro.

Sobre o córrego Flecha Catalão, no bairro Dom Pedro II, a Prefeitura informou que baixou 90 centímetros. O ribeirão chegou a 4,2 metros, no auge, ameaçando a os moradores da região. No entanto, ontem, o nível da água estava com 3,3 m de altura.

Ações

A Prefeitura informou que, durante o fim de semana, realizou a remoção de 20 árvores e a reconstrução de cinco canaletas.

— O resultado até o momento é devido ao trabalho preventivo realizado ao longo do ano. (...) As constantes ações em todos os córregos da cidade permitiram que o grande volume d’água se mantivesse nas calhas — ressaltou.

Por fim, a Prefeitura reforçou a importância do descarte de lixo em local adequado. Segundo o órgão, na última semana, agentes retiraram sofás que cobriam as manilhas do córrego do bagaço, sob a avenida JK, próximo ao Hemominas.

— Já na área central, a limpeza de bueiros permitiu uma maior vazão da água e um registro mínimo de alagamentos de vias. Apesar dos resultados em consequência da postura preventiva adotada pelo Município, as ações continuam sendo constantes e necessárias. Muitas vezes, por descaso da própria população, o lixo, restos de material de construção e até mesmo os móveis velhos jogados nas ruas e beira de córregos ampliam, significativamente, a possibilidade de inundações — destacou.

O Executivo também informou que continua, a cada seis horas, monitorando o volume de água do rio Itapecerica e seus afluentes.

Dia 24

A expectativa do pior dia das chuvas para a sexta-feira se confirmou: o nível do rio Itapecerica alcançou, no fim da tarde, a marca dos 98 centímetros acima do normal. Com isso, a Defesa Civil emitiu um alerta para a possibilidade de enchentes de alguns córregos, solicitando a atenção da população ribeirinha para, em caso de necessidade, deixarem suas casas. As fortes chuvas na cidade de Itapecerica, responsável pelo aumento do volume de água do rio em Divinópolis, reforçaram o alerta. Durante a noite, a Prefeitura anunciou que as chuvas da cidade vizinha chegariam a Divinópolis na primeira hora de sábado, 25, quanto o volume de água superou 1 metro.

Dia 25

Apesar das chuvas, parte de Divinópolis ficou sem água no sábado. Em nota, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou a paralisação da captação de água do rio Pará.

— Em razão disso, o abastecimento da cidade encontra-se temporariamente interrompido — informou a empresa.

Com a paralisação, 30 bairros ficaram sem o abastecimento de água durante o domingo, 26, devido a problemas no rio Pará. Na oportunidade, a Prefeitura ainda voltou a reforçar o pedido de atenção para os moradores do bairro Dom Pedro II.

Previsão

Conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de chuva durante a tarde de hoje e na sexta-feira, 31. O céu deve ficar nublado entre quarta e quinta, porém sem precipitações.

Segundo a Defesa Civil, a previsão para hoje é de 50 a 70 milímetros de chuvas.

Estado

Em Minas Gerais, os números divulgados pela Defesa Civil na manhã de ontem apresentam o cenário de tragédia: 14.609 desalojados, 3.386 desabrigados, 65 feridos, 47 mortes confirmadas e 4 pessoas desaparecidas. O órgão estadual ainda não incluiu a morte, em Divinópolis, no número de vítimas fatais.

Além disso, o Estado classificou 101 cidades como em situação de emergência e três em estado de Calamidade Pública (Orizânia, Ibirité e Catas Altas).

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