Divinópolis tem 3 casos suspeitos de contaminação por cerveja

Da Redação

Desde que a causa das mortes misteriosas em Minas foi descoberta, muito tem se falado sobre o lote da cerveja Belorinzontina. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) divulgou o registro de três casos suspeitos relacionados à síndrome nefroneural, em Divinópolis. Dentre as suspeitas, apenas um deles ainda apresenta alguns sintomas.

Entretanto, por se tratar de um registro do início de dezembro, na época, não foi feita nenhuma associação à síndrome. O paciente foi aconselhado a voltar ao médico que já havia iniciado o tratamento para novos exames, agora específicos.

A secretaria afirmou que irá continuar acompanhando o caso. Nas outras duas ocorrências, os pacientes já apresentaram um quadro de melhora.

Divinópolis

Os três pacientes com suspeita de intoxicação são homens com idades de 30, 40 e 65 anos.

O primeiro caso relata que consumiu a cerveja no início de dezembro, iniciou com vômitos, diarreia e dor abdominal. No início do problema, o médico solicitou exames, mas não fez ligação com a cerveja, pois segundo o consumidor sempre consumiu a marca. Além disso, a causa da infecção ainda não era conhecida. O homem ficou doente por 15 dias, perdeu cinco quilos. Apesar disso, de acordo com a Semusa, o homem está se recuperando. Ele tem em casa 19 garrafas do lote 1354.

O segundo caso é de um homem que consumiu nas festas de fim de ano, iniciou com vômito e diarreia, ficou de licença médica por dois dias, mas atualmente não apresenta mais sintomas. Ele tem em casa uma garrafa do lote 1354.

O último caso é de um idoso que consumiu uma garrafa da Belorizontina em um restaurante no último dia 9. Ele não sabe de qual lote pertence a cerveja. Iniciou com vômito e diarreia, mas foi descartado pois já tem problemas gastrointestinais prévio. Por outro lado, a esposa que também consumiu com ele a cerveja, não teve nenhum sintoma.

De acordo com nota enviada pela Prefeitura, em balanço das vistorias feitas no comércio local, dos 32 comércios fiscalizados no dia 13, três tinham Belorizontina, mas não dos lotes suspeitos); e
37 comércios fiscalizados no dia 14, nenhum lote suspeito foi encontrado.

Boletim

Até o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), divulgado na última terça, eram 17 pessoas infectadas. No entanto, os casos de Divinópolis não estavam incluídos na conta.

Conforme a secretaria são 12 notificações em Belo Horizonte e os demais são de moradores de Nova Lima, na Região Metropolitana, São João Del Rei, no Campo das Vertentes, São Lourenço, no Sul de Minas, Ubá e Viçosa, na Zona da Mata.

O primeiro caso foi registrado em 19 de dezembro. Na próxima atualização da SES, Divinópolis deve figurar e talvez outras cidades.

Sintomas

Os pacientes apresentam problemas gastrointestinais – como náuseas, vômitos e dor abdominal -,  insuficiência renal aguda e alterações neurológicas – com paralisias e  dificuldades na visão.

Morte

Um dos pacientes, de 55 anos, morreu terça-feira, 7, em Juiz de Fora, onde estava internado. Exames foram realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), que abriga o Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais, mas a causa da morte só foi descoberta dois dias depois.

Após ele, ontem mais uma morte provocada pela intoxicação foi confirmada oficialmente. Trata-se de um homem de 76 anos. A Polícia Civil ainda investiga uma terceira morte: uma mulher que morreu em Pompéu.

Tensão na cerveja

A simples cerveja do fim de semana virou motivo de preocupação para os mineiros. A apreensão surgiu quando uma doença misteriosa a infectar pessoas em Minas Gerais. Mais tarde, foi descoberto que os pacientes que apresentaram os mesmos sintomas de intoxicação haviam consumido a cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer.

Uma perícia foi contratada pela marca para analisar todo o processo de produção da cervejaria. No laudo, foi identificada a substância tóxica dietilenoglicol em uma amostra da cerveja Belorizontina.

De acordo com a diretora de marketing da cervejaria, Paula Lebbos, a amostra é do lote 1348, o mesmo analisado pela Polícia Civil, onde também foi identificada a presença do dietilenoglicol. A diretora da empresa pediu para que as pessoas não consumam a Belorizontina até que o caso seja esclarecido.

A Backer considera que são dois lotes contaminados; já a Polícia Civil considera a contaminação em três lotes.

Na última segunda, a marca retirou todas as cervejas do lote de circulação. Além disso, a cervejaria se comprometeu a buscar na casa das pessoas.

 

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