Divinópolis registra mais de 700 casos suspeitos de coronavírus no fim de semana

Decorridos apenas 18 dias, janeiro já tem alguns dos piores indicadores desde o início da pandemia

Ana Laura Corrêa

Neste fim de semana, Divinópolis registrou 730 novos casos suspeitos de coronavírus.

A cidade tem 31.888 notificações de suspeitas. A taxa de testagem, no entanto, é de apenas 20,92% e a maioria tem resultado positivo.

Assim, das 31.888 suspeitas, somente 6.673 foram testadas: 4.842 casos foram confirmados – sendo 4.293 recuperados – , 1.784 descartados e 47 em análise.

A taxa de isolamento está em 35%, já a de letalidade da covid-19 marca 2,56%. O ritmo de contágio é de 1,11, o que significa que cada grupo de 100 pessoas contaminadas transmite o vírus para outras 111.

Ocupação

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e o setor de enfermaria da rede particular estão com mais de 70% de ocupação. Ao todo, há 136 pessoas hospitalizadas, incluindo três crianças internadas em UTIs e uma no setor de enfermaria. Veja abaixo a ocupação de cada setor no SUS e na rede suplementar.

Leitos de UTI

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 44 31 70,5% 13
SUS 50 23 46,0% 27
Total 94 54 57,4% 40

Leitos de enfermaria

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 71 51 71,8% 20
SUS 56 31 55,4% 25
Total 127 82 64,6% 45

Janeiro

Decorridos apenas 18 dias, janeiro já tem alguns dos piores indicadores registrados desde o início da pandemia. Nesta segunda-feira, 18, foram confirmadas mais três mortes, assim, o mês ultrapassou dezembro e tem o maior número de óbitos registrados desde o início da pandemia.

Janeiro tem 23 mortes em decorrência da covid-19, contra 22 de dezembro.

A média de internações deste mês também é a pior já registrada desde o início da pandemia: 76 hospitalizações no setor de enfermaria e 57 em UTIs. Até então, o recorde era também de dezembro, com 55 e 45, respectivamente.

O mês de janeiro ainda tem as maiores médias diárias de casos confirmados e suspeitos. São cerca de 277 novas suspeitas registradas por dia e 50,2 confirmações – em dezembro, esses números eram de 251 e 46,6.

Apenas nos 18 dias de janeiro, já houve 4.994 novos casos suspeitos e 903 confirmados. Nesses indicadores, o mês ainda aparece atrás de dezembro, que teve 7.778 suspeitas e 1.446 confirmações.

Mortes

Com as três mortes confirmadas nesta segunda-feira e a cidade chegou a 124 óbitos em decorrência da covid-19 – outros três são investigados.

— Isso acaba sendo reflexo do grande aumento do número de casos que nós estamos observando nas últimas semanas. Então, quanto mais casos nós registramos, mais casos ativos possivelmente temos na cidade, mais pessoas com critério para as formas grave estão sendo expostas, mais pacientes graves na UTI e, é claro, um maior registro do número de óbitos — explicou a médica infectologista Rosângela Guedes, que atua nos hospitais São Judas e Complexo de Saúde São João de Deus.

Embora a doença seja apontada como de baixa letalidade – marcando 2,56% atualmente em Divinópolis –, essa taxa pode ser maior dependendo de alguns fatores.

— A taxa é calculada com o número de óbitos que acontece com relação ao número de casos confirmados. Mas o que as pessoas precisam entender é que essa taxa de letalidade baixa é quando eu tomo o montante de todos os pacientes infectados. Quando a gente vai considerar pacientes acima de 60 anos, essa taxa é muito superior, chega a ser mais de 14%, em pacientes com 80 anos mais de 80% — ressaltou a médica.

Rosângela Guedes destacou que o número de mortes pode ser maior do que o registrado nos boletins.

— Esse número é até subestimado, porque muitos pacientes estão evoluindo para óbito, com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que nós sabemos se tratar de uma condição de coronavírus,mas que a gente não consegue confirmar o diagnóstico antes do óbito, seja porque não houve tempo hábil para coleta do exame ou porque o exame inicial veio negativo, e exames negativos não invalidam o diagnóstico de infecção pelo coronavírus — explicou.

A maior parte das mortes é registrada entre pacientes com mais de 60 anos ou com comorbidades, no entanto, há registros de óbitos de jovens e até mesmo de crianças.

— O registro de óbitos de crianças em Divinópolis foram de crianças não do município, mas que foram assistidas aqui, de cidades vizinhas — afirmou a médica.

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