Divinópolis registra mais de 1,8 mil casos suspeitos de coronavírus em uma semana

Há quatro crianças internadas em UTIs e uma no setor de enfermaria; decorridos apenas 15 dias, janeiro já é um dos piores meses desde o início da pandemia

Da Redação

O boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) nesta sexta-feira, 15, traz que Divinópolis registrou 255 novos casos suspeitos de coronavírus nas últimas 24h. Em relação à última sexta-feira, 8, são 1.862 novos registros em apenas uma semana.

Decorridos apenas 15 dias, janeiro já é um dos piores meses desde o início da pandemia.

Dados

A cidade tem 31.158 notificações de suspeitas. A taxa de testagem, no entanto, é de apenas 21,02% e a maioria tem resultado positivo.

Assim, das 31.158 suspeitas, somente 6.551 foram testadas: 4.738 casos foram confirmados – sendo 4.146 recuperados – , 1.783 descartados e 30 em análise.

A taxa de isolamento está em 37%, já a de letalidade da covid-19 marca 2,53%. O ritmo de contágio é de 1,14, o que significa que cada grupo de 100 pessoas contaminadas transmite o vírus para outras 114.

Ocupação

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da rede particular estão com quase 70% de ocupação. Há quatro crianças internadas em UTIs e uma no setor de enfermaria. Veja abaixo a ocupação de cada setor no SUS e na rede suplementar.

Leitos de UTI

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 44 30 68,2% 14
SUS 50 25 50,0% 25
Total 94 55 58,5% 39

Leitos de enfermaria

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 71 53 74,6% 18
SUS 56 26 46,4% 30
Total 127 79 62,2% 48

Mortes

Mais três mortes foram confirmadas nesta quinta-feira e a cidade chegou a 120 óbitos em decorrência da covid-19 – outros dois são investigados.

Nos 15 dias de janeiro já foram registradas 19 mortes por coronavírus.

Até o momento, o recorde de óbitos ocorreu em dezembro, que teve 22, seguido por agosto, com 18.

— Isso acaba sendo reflexo do grande aumento do número de casos que nós estamos observando nas últimas semanas. Então, quanto mais casos nós registramos, mais casos ativos possivelmente temos na cidade, mais pessoas com critério para as formas grave estão sendo expostas, mais pacientes graves na UTI e, é claro, um maior registro do número de óbitos — explicou a médica infectologista Rosângela Guedes, que atua nos hospitais São Judas e Complexo de Saúde São João de Deus.

Embora a doença seja apontada como de baixa letalidade – marcando 2,58% atualmente em Divinópolis –, essa taxa pode ser maior dependendo de alguns fatores.

— A taxa é calculada com o número de óbitos que acontece com relação ao número de casos confirmados. Mas o que as pessoas precisam entender é que essa taxa de letalidade baixa é quando eu tomo o montante de todos os pacientes infectados. Quando a gente vai considerar pacientes acima de 60 anos, essa taxa é muito superior, chega a ser mais de 14%, em pacientes com 80 anos mais de 80% — ressaltou a médica.

Rosângela Guedes destacou que o número de mortes pode ser maior do que o registrado nos boletins.

— Esse número é até subestimado, porque muitos pacientes estão evoluindo para óbito, com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que nós sabemos se tratar de uma condição de coronavírus,mas que a gente não consegue confirmar o diagnóstico antes do óbito, seja porque não houve tempo hábil para coleta do exame ou porque o exame inicial veio negativo, e exames negativos não invalidam o diagnóstico de infecção pelo coronavírus — explicou.

A maior parte das mortes é registrada entre pacientes com mais de 60 anos ou com comorbidades, no entanto, há registros de óbitos de jovens e até mesmo de crianças.

— O registro de óbitos de crianças em Divinópolis foram de crianças não do município, mas que foram assistidas aqui, de cidades vizinhas — afirmou a médica.

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