Divinópolis registra duas mortes causadas pela dengue neste ano

 

Matheus Augusto

A dengue fez as primeiras vítimas fatais em Divinópolis neste ano. Uma mulher, de 69 anos, que morava no bairro Santa Clara, morreu no dia seguinte de sua internação no hospital Santa Mônica, onde chegou com o quadro de saúde delicado. A outra vítima, um homem de 77 anos, morava no Niterói, e deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em estado grave. Ele morreu no dia 18, poucas horas após ser internado.

As causas das mortes foram confirmadas após testes nas próprias unidades onde as vítimas viveram seus últimos momentos. Agora, as amostras serão encaminhadas à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para a validação dos exames.

Também ontem, Minas Gerais entrou em situação de emergência, devido ao alto número de casos de dengue. Os municípios mineiros já somam 140.754 notificações, entre casos confirmados e suspeitos. Além de Divinópolis, outras 14 pessoas morreram no estado com o mesmo diagnóstico. Com isso, o Governo decidiu pelo envio de repasses aos municípios com alta incidência, a fim de reforçar o combate ao Aedes aegypti.

Mortes

O quadro em Divinópolis é preocupante: já são 293 casos de dengue confirmados. As mortes ratificam o alerta sobre a situação na cidade. Como informado pela Agora ontem, outras 364 suspeitas estão em análise.

De acordo com a diretora da Vigilância em Saúde, Janice Soares, os dois idosos que morreram chegaram às unidades de atendimento em estado grave.

— Eles chegaram às unidades de saúde com histórico de doença de base como hipertensão e diabetes. Em estado grave, obtiveram resultado positivo no teste rápido para detecção de dengue realizado na UPA e no hospital. Estão chegando muitas notificações, e o nosso alerta no começo do ano tem se confirmado — explicou.

A Prefeitura informou que as equipes de bloqueio da Semusa foram às residências das vítimas para pulverizar o local com inseticida. Apesar das ações realizadas pela pasta, o secretário da Semusa, Amarildo de Sousa, afirmou que, neste momento, é de suma importância a comunidade estar atenta para evitar a proliferação dos focos.

— Precisamos da adesão de toda a população no combate à dengue, para que possamos minimizar ao máximo os efeitos desta epidemia. Na próxima semana, intensificaremos ainda mais o trabalho ostensivo nos bairros mais acometidos — afirmou Amarildo.

Justiça

O cenário de epidemia de dengue virou motivo de ofício por parte da Associação dos Advogados do Centro-Oeste (AACO-MG). A organização enviou um documento à secretária da Vigilância em Saúde, Janice Oliveira, solicitando a tomada de providências urgentes em relação à situação vivida pelo município.

O ofício, encaminhado pelo presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos da AACO, Eduardo Augusto Silva Teixeira, requer que, em curto prazo, sejam oferecidas soluções concretas e eficientes para os divinopolitanos. O pedido pede uma atenção especial aos bairros Esplanada e Manoel Valinhas, além das outras regiões com alta incidência de casos.

O documento enviado solicita ainda a tomada de medidas para evitar uma escalada dos casos na cidade, temendo o “agravamento do quadro de epidemia, já instalado na cidade”. A entidade lembra que cabe ao Município monitorar a situação da dengue e, em caso de negligência, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pode ser instalada, bem como pode ser feito acionamento do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Estadual (MPE) para pressionar a intensificação da vigilância em Divinópolis.

Crise agravada

O Governo de Minas Gerais declarou, ontem, situação de emergência devido às incidências de dengue em todo o estado. O anúncio veio após a divulgação do último boletim epidemiológico pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). No relatório, Divinópolis conta com 673 casos de dengue, sendo classificada com incidência média.

Para receber o índice de alta, o município precisa ter uma incidência superior a 300; Divinópolis tem 285,20. Com isso, a cidade não será contemplada, inicialmente, pelo recurso extra disponibilizado pelo Estado. Porém, com duas mortes em decorrência da dengue confirmadas e mantendo o ritmo de crescimento de casos, o município pode entrar na lista dos beneficiados pelo recurso estadual já na próxima semana.  

Verba

O valor do recurso varia de acordo com o número de habitantes. Cidades com até 25 mil habitantes vão receber o incentivo de R$ 20 mil; para aquelas com população entre 25.001 e 70 mil pessoas, esse valor é de R$ 40 mil; entre 70.001 e 100 mil habitantes, R$ 70 mil. Já os municípios com mais de 100 mil pessoas e com menos de 400 mil devem receber R$ 200 mil. Por fim, acima desse número populacional, R$ 400 mil serão destinados à prefeitura.

Segundo informou o Governo, a verba deve ser utilizada para a contratação de agentes e produções de materiais de conscientização.

— Neste primeiro momento, 93 prefeituras receberão recursos para reforço de despesas com pessoal - como contratação de agentes de controle de endemias e capacitações para profissionais na assistência hospitalar - e custeio e manutenção de atividades, como confecção e reprodução de material gráfico informativo, aquisição de material de apoio para ações de mobilização e mutirões de limpeza de áreas prioritárias — destacou em nota.

O Governo informou ainda que, devido à crise financeira, não é possível transferir recursos para todas as cidades. Assim, as verbas serão destinadas aos municípios com alta incidência de casos de dengue. O valor será repassado a cada 15 dias, até 30 de junho deste ano, às Prefeituras, de acordo com as classificações de cada município epidemiológico, divulgado semanalmente pela SES.

A expectativa é contemplar outras 46 cidades na próxima resolução, com um montante de R$ 1,88 milhão.

Cenário endêmico

No Centro-Oeste são 24 municípios com o índice classificado como muito alta ou alta. A situação mais crítica é de Arcos. Com quase 40 mil habitantes, a cidade já registrou 2.620 notificações da dengue. Outro município listado com incidência crítica é Lagoa da Prata, com 634 casos suspeitos. A cidade investiga a primeira morte em decorrência da doença neste ano. Ambos os municípios devem receber R$ 40 mil cada para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti.

Neste primeiro momento, no Centro-Oeste, as cidades de Luz, Candeias, Martinho Campos, São Gonçalo do Pará, Itatiaiuçu, Pimenta e Pains devem contar com o auxílio de R$ 20 mil cada.

Carmo do Cajuru também está em alerta, com a incidência classificada como alta. O município, com pouco mais de 22 mil habitantes, já teve 78 casos suspeitos de dengue. No entanto, não aparece na lista das 93 prefeituras. 

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