Divinópolis querida

Augusto Fidelis

Desembarquei-me nesta terra no dia 25 de maio de 1976, para trabalhar na Companhia Siderúrgica Pains, labor conseguido com o apoio do padre Miguel, que em 1972 havia sido pároco em Carmo da Mata. Quem me sugeriu procurá-lo foi a Lazinha, outra carmense residente há tempos na Cidade Divina. E quem me aconselhou a procurar a Lazinha foi a tia dela, a Jandira, na época residente ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo era o local aonde eu ia todos os dias rogar a Deus um novo trabalho, já que eu voltara da cidade de Bom Jardim de Minas, onde tive meu primeiro emprego numa companhia de asfalto, a Cimcop, construtora da rodovia que liga Juiz de Fora a Caxambu. Para Bom Jardim, em 1975, fui levado pelo meu irmão José, e lá fiquei por nove meses, sendo esta a primeira vez que saí de casa.

Meu sonho era morar em Divinópolis. Desde pequeno ouvia falar desta cidade, onde corria leite e mel, havia oportunidade de emprego, cultura pujante, pessoas educadas e de braços abertos para quem chegava. Pois é, a roda girou e aqui consegui chegar quando eu tinha 21 anos. É bem verdade que as coisas não eram como apregoadas. Sozinho, em terra estranha, enfrentei muitas dificuldades. Minha mãe morreu em 1977, meus irmãos e minha irmã procuram seguir o destino reservado a cada um; eu não tinha para aonde correr. Mas, mesmo assim, não passei fome nem tive de morar na rua.

Agora, passados 43 anos, tenho certeza de que aqui é o meu lugar. Afinal, são tantas conquistas, tantos afazeres, tantos amigos! Depois de ter atuado como copeiro na Pains, faxineiro na Expresso Rio Mar, sentir na pele o desespero do desemprego, aos poucos fui encontrando o caminho: repórter e chefe de redação da Rádio Minas. Depois, recebi convite para trabalhar na Prefeitura.

E trabalhando para o município me encontrei completamente. Fui diretor da Escola Municipal de Música, gerente de Turismo, presidente da Fundação Municipal de Cultura, diretor de Comunicação, editor do Jornal Oficial e há dez anos gerente de Cerimonial. Além, disso, tornei-me radialista, colunista social, membro da Academia Divinopolitana de Letras, do Lions Clube Pioneiro, da Loja Maçônica Templários da Arte Real, da Sociedade de São Vicente de Paulo, ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, Cidadão Honorário, Medalha Candidés e mais um tanto de honrarias.

Por estas e tantas outras razões eu amo Divinópolis, a melhor cidade do mundo para se viver e ser feliz. Parabéns, cidade querida, pelos seus 107 anos. Mil vezes, parabéns! Amo-te tanto, querida!

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