Divinópolis: mais de 1.500 casos, menos de 300 testados

Matheus Augusto

As Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), em Divinópolis, estão com 51% de sua capacidade ocupadas, 68 das 134, entre leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede particular. Os dados estão presentes no boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). O relatório apresenta a cidade com 1.562 casos notificados. Desse total, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, apenas 275 (cerca de 18%) foram testados: 107 negativos, 158 positivos e 10 em análise. 

Apesar da preocupação especial com o grupo de risco, o cenário em Divinópolis revela que mesmo quem está fora da população mais vulnerável precisa seguir todas as orientações das autoridades de saúde. Conforme informação oficial da Semusa, um adolescente, de 15 anos, e uma criança, 9, irmãos, estão em estado grave na cidade. Eles são de Carmo do Cajuru e, segundo os relatos, estiveram no Rio de Janeiro. Ambos fazem parte dos 14 pacientes internados em UTIs pela cidade; outras 25 pessoas estão em enfermarias.

Velórios

O decreto municipal em vigor estabelece que serviços funerários podem funcionar obedecendo a determinação de uma pessoa para cada 4m² de área interna e a distância de 2m² entre as pessoas, com tempo máximo de seis horas de duração. Apesar das recomendações do controle do fluxo de clientes, não há nenhuma limitação do número de pessoas

Em Divinópolis, preocupações com essa situação são levantadas por cidadãos. Uma moradora da cidade conta que, segundo relatos, uma familiar, de 59 anos e com histórico de comorbidades, foi contaminada durante o velório de Célio Xavier, dono de um açougue na cidade, assassinado no último dia 21. Internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), a paciente, que reside na comunidade de Branquinhos, se encontra em estado delicado.

Em conversa com o secretário de Saúde, Amarildo Sousa, ela relata: “muitas cidades não estão permitindo nem dez pessoas [em velório], há cidades que só cinco; em São Francisco de Paula, sete. E, aqui, 18 ao redor do caixão e ninguém na porta do velório para controlar”. 

O secretário, além de compartilhar da preocupação, informa que reforçará a nota aos serviços de luto, pois “já fizemos essa determinação”. Amarildo ainda destaca que, apesar do conhecimento geral da população para evitar aglomerações e das orientações feitas às empresas responsáveis por tais atividades, é difícil fazer esse controle. 

Por fim, o líder da pasta relata sua tristeza com o cenário e cita, como exemplo da gravidade da situação e contra o relaxamento das pessoas com as medidas de prevenção, o quadro de saúde de um adolescente de 15 anos e uma criança de nove, ambos entubados em razão do coronavírus.

Morte suspeita

A Semusa anunciou na terça-feira, 5, a investigação da morte de um paciente com suspeita de coronavírus. O homem, de 43 anos, tinha doença hepática crônica e estava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Esta é a única fatalidade em análise.

Curados

Apesar de a Prefeitura não divulgar o número de curados dos atendidos na rede hospitalar de Divinópolis, o Complexo de Saúde São João de Deus anunciou na terça-feira a alta de mais um paciente do CTI.

— O paciente (...), de 61 anos, é natural de Nova Serrana e teve sua entrada registrada na instituição no dia 26 de abril, quando apresentava dificuldades para respirar, um dos sintomas característicos da covid-19. Ele permaneceu por oito dias no CTI recebendo todos os cuidados necessários pela equipe de profissionais do hospital, que fizeram questão de demonstrar todo carinho e afeto com o paciente durante sua transferência para a Enfermaria — informou o hospital, em nota.

Em observação, sem mudanças no quadro de saúde, ele deve ser liberado para voltar pra casa nos próximos dias. 

Internações

A preocupação das autoridades de saúde com o coronavírus em Divinópolis é comprovada pelos registros. Segundo a Secretaria de Saúde, o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aumentou 850% neste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2019, do início do ano até a última semana, foram contabilizadas oito internações; em 2020, já são 76 hospitalizações (53 pacientes residentes da cidade) em decorrência da SRAG.

A diretora da Vigilância em Saúde, Janice de Souza, destaca que a ascensão está diretamente ligada à crise.

— (...) o número, consideravelmente alto, não seria provável se não fosse o quadro epidêmico que Divinópolis enfrenta e tem relação direta com a pandemia — explicou.

Para a Prefeitura, os indicadores reforçam a importância das medidas de prevenção para evitar a sobrecarga do sistema de saúde.

— Os dados são importantes, pois levantam um alerta em relação ao crescimento no número de internações por causas respiratórias, o que poderia provocar um colapso na rede de saúde se os casos continuarem a crescer na mesma ou em maior proporção — finaliza.

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