Divinópolis é notificada sobre doença misteriosa

Laudo aponta presença de dietilenoglicol em frascos de cerveja na casa de pacientes com a doença

Da Redação

Uma preocupação, anteriormente restrita a Belo Horizonte e cidades vizinhas, começa a se espalhar por Minas Gerais. A Prefeitura revelou ontem tem sido notificada sobre a doença contraída por oito pacientes no estado.

— A Secretaria Municipal de Saúde [Semusa] de Divinópolis informa já ter sido notificada pela Secretaria Estadual de Saúde sobre o registro da ocorrência de casos de insuficiência renal aguda com alterações neurológicas de etiologia, registrados em Belo Horizonte, e ainda sem identificação da causa — ressaltou.

A Administração ainda declarou que recebeu os devidos procedimentos que devem ser adotados ao notar casos suspeitos e repassou as informações aos postos de saúde.

— A orientação repassada aos municípios é para que as equipes fiquem atentas aos sintomas, caso algum paciente os apresente. Em Divinópolis, todas as unidades de saúde estão orientadas sobre o protocolo a ser adotado — explicou.

Segundo a Semusa, os casos registrados até o momento se concentram na capital mineira.

— Os dados iniciais mostraram que 100% dos pacientes são do sexo masculino, mediana de idade 49 anos (23 a 76 anos), cinco residentes em Belo Horizonte, um em Ubá, e um em Nova Lima; eles foram internados em hospitais da Região Metropolitana de Belo Horizonte e um em Juiz de Fora. A média de dias entre o início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5. Todos com insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas — explicou.

Apesar dos esforços, a causa da doença ainda não foi determinada pelas equipes que investigam o caso.

— Exames laboratoriais estão sendo realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed) para pesquisa de arboviroses, febres hemorrágicas, infecções bacterianas e fúngicas sistêmicas, doenças neurolinvasivas, intoxicações exógenas, dentre outras. A partir da análise inicial, elaborou-se nota técnica com orientações para vigilância do agravo inusitado — destacou.

Suspeita

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) também participa da investigação. Agentes do órgão recolheram amostras de uma cervejaria em Belo Horizonte, a ser comparada com as garrafas ingeridas por parte dos pacientes. No laudo técnico emitido no início da noite de ontem, a PC confirmou que duas amostras da cerveja encaminhadas para a Vigilância Sanitária de Belo Horizonte foram identificada com a presença da substância dietilenoglicol, utilizada na refrigeração nas serpentinas durante a fabricação da cerveja, em exames preliminares.

Outras análises ainda estão em andamento para detectar a presença da substância em outras garrafas e confirmar se a substância detectada é responsável pela doença.

Morte

Um dos pacientes, de 55 anos, morava na região de Ubá e morreu nesta terça-feira, 7. O corpo dele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), em Belo Horizonte, para perícia. O resultado ainda não tem data para ser concluído.

Caso

Sobre a doença não identificada, a Prefeitura comunicou que os sintomas podem ser diversos.

— Indivíduo que, a partir de primeiro de dezembro de 2019, iniciou com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ou dor abdominal), associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (em até 72 horas), seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório, paralisia descendente — finalizou, em nota.

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