Divinaexpo: a história de um sonho

 

Jorge Guimarães

Tradição. Quem tem dúvidas de que um evento que é sucesso absoluto desde 1960 é, no mínimo, um fenômeno, provavelmente não esteve em nenhuma de suas edições. Assim pode-se definir o que é o velho “rodeio”, hoje denominado Divinaexpo, para a população de Divinópolis, que tem o evento como sua maior festa popular. Prestes a completar 50 anos no próximo ano, a festa tem dois paradigmas: o antes e o depois da administração de Irajá Ferreira Nogueira. Por isso, a partir de 1998, quando Irajá assumiu a presidência do Sindicato Rural, a festa ganhou cara nova e status de ser a segunda maior festa de rodeio do país e a maior de Minas Gerais. Perguntado sobre a receita do crescimento e consolidação da festa, Irajá Nogueira não tem dúvidas.

— O sucesso do evento é atender o público, saber o que ele quer — definiu.

Para o presidente, só é possível atingir esse objetivo graças às parcerias e a uma equipe profissional qualificada.

— Juntos, podemos mais — resumiu.

História

Porém, para chegar a estar entre as maiores festas de rodeio do país, o evento teve de percorrer um longo caminho até encontrar sua morada no Parque da Divinaexpo.

Na década de 50, os espetáculos de rodeio já existiam na cidade. José Gontijo da Silva, o popularíssimo Zé Capitão, divulgou e expandiu a festa por Divinópolis, Minas Gerais, Brasil e outros países do mundo. A vida e obra de Zé Capitão merecem uma história à parte.

Naquela época, as festas já lotavam. Muitos vinham de longe para assistir a apresentação da Equipe de Rodeio Zé Capitão. Dessa forma, o então “rodeio” teve início na Charqueada, hoje bairro Manoel Valinhas. Com o crescimento, Zé Capitão adequou o campo de futebol do Divinópolis Tênis Clube (DTC) para a prática do rodeio e por lá ficou por dois anos consecutivos.

Como o DTC também ficou pequeno, o jeito foi fazer o evento no Campo do Flamengo, onde permaneceu por três anos. Depois,mudou-se novamente para o bairro Santo Antônio, perto da Vila Belo Horizonte. Entre tantas idas e vindas, no dia 1º de junho de 1970, o Sindicato Rural de Divinópolis inaugurou sua sede no alto da Avenida Paraná, onde está hoje o Parque da Divinaexpo.

Receita

E quem leva este legado à frente e fez com que Divinópolis fosse reconhecida nacionalmente e internacionalmente pela festa é, sem dúvidas, o presidente Irajá Nogueira.  Questionado pela reportagem sobre qual seria a receita de tamanho sucesso, o presidente simplificou em uma única palavra: profissionalismo.

— A partir do momento em que tomei posse como presidente, comecei a montar uma equipe competente, dando início à profissionalização dos eventos. E uma das nossas principais metas foi atender o público, saber o que ele quer. Para tanto, temos profissionais capacitados para atuar tanto à frente do evento quanto nos bastidores. Deste modo, a festa tem sempre uma grade de shows de artistas e bandas que estão sempre no topo do sucesso — detalhou Irajá Nogueira

Momentos mágicos

O presidente também destaca duas datas como momentos cruciais para que a Divinaexpo virasse o sucesso que é hoje.

— A primeira em 1999, quando da realização do show da dupla Rio Negro & Solimões, fato este que veio a projetar nacionalmente a dupla e a festa. A outra aconteceu no ano de 2001, coma dupla Sandy & Junior. Estes dois shows foram um marco para a história de sucesso do maior rodeio de Minas Gerais — relembrou o presidente.

Homem do campo

Mas o Sindicato Rural não visa somente festas e eventos. O homem do campo sempre mereceu atenção especial.

— Trabalhamos junto aos produtores rurais e, assim, conseguimos aumentar o número de associados. Ao longo de anos, o Sindicato Rural mantém a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por meio da qual oferecemos os mais diversos cursos de capacitação profissional para o homem do campo — destacou Irajá.

Agronegócio

O país vive uma crise ainda sem luz no fim do túnel e, mais do que nunca, depende do agronegócio. E no atual momento Irajá Nogueira vê o setor em evolução.

— O setor continua crescendo e, com certeza, ele é o combustível da vida. Eu digo sempre que um dia você vai precisar de um médico, um advogado e um engenheiro. Em contrapartida, você precisa de um produtor rural pelo menos três vezes ao dia: no café da manhã, no almoço e no jantar— ressalta.

50 anos

Neste ano, está sendo realizada a 49ª Divinaexpo, que termina neste próximo domingo, dia 2. Masa diretoria já está pensando na elaboração do evento que vai marcar os 50 anos de história desta jovem festa, outrora chamada de rodeio, hoje a reconhecida Divinaexpo. E uma das ações já planejadas e consolidadas foi a parceria do Sindicato com a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) – Divinópolis na elaboração de um livro e um vídeo contando toda a história destes 50 anos de festa. Por isso, antes mesmo do início da 49ª Divinaexpo, a festa ganhou um espaço únicona Uemgdurante a realização da 17ª Semana Nacional de Museus, que ocorreu no início do mês, para que todos pudessem conhecer sua história. A mostra teve como objetivo principal registrar a Divinaexpo como patrimônio imaterial do município.

— A exposição é o resultado de uma pesquisa que nós estamos fazendo dentro do projeto para reconhecer a Divinaexpo como patrimônio imaterial da cidade. E nela contamos a história do evento desde os primórdios tempos comZé Capitão até os dias de hoje — disse a coordenadora do Centro de Memórias da Uemg (Cemud), Flávia Lemos.

Parceria

A exposição é apenas um dos projetos alinhados para que a Divinaexpo seja reconhecida como patrimônio imaterial. A segunda etapa é o lançamento do livro contando a história do rodeio, a partir da construção do Parque de Exposições. A obra será lançada dentro da programação oficial da 50ª Divinaexpo, quando serão feitas as comemorações do cinquentenário da festa de rodeio.

— Fizemos uma parceria com a Uemg para viabilizar o registro da festa, junto ao prefeito Galileu Machado (MDB) e às secretarias de Turismo e Cultura, como patrimônio imaterial —explicou o presidente do Sindicato Rural, Irajá Nogueira.

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