Distribuir ignorância

A era digital era uma das grandes promessas para o futuro. Junto ao sonho dos carros voadores estava o da facilidade da comunicação. A era na qual tudo estaria nas palmas das mãos. Mas o que os “futuristas” não calcularam foi a ignorância do povo, que não estava preparado para tamanho impacto. Era necessário que, para globalizar o acesso à internet, as pessoas fossem evoluídas o suficiente para lidar com ela. E, infelizmente, não foi isso o que aconteceu.  Em 2010, tivemos o boom da internet, e logo depois, em 2012, a popularização dos smartphones e da informação na palma da mão. Em seguida, em 2013, as “fake news” davam seus primeiros passos, e hoje caminhamos para a destruição da democracia, graças a este processo, que veio rápido demais e não tinha um povo preparado para lidar com ele. É triste, mas a era digital está destruindo a democracia.

É triste ver pessoas pedindo a volta da ditadura militar, utilizando as redes sociais para fazer apologia à violência e cometer outras atrocidades mais. É triste ver que a era digital está sendo utilizada de forma errada. Mais triste ainda é ver político usando este meio para “distribuir” ignorância, e alguns, mais “apaixonados”, para fazer apologia ao ódio e incitar a população contra o sistema público, sob a justificativa que são contra o sistema, mesmo sendo parte dele. É quase arrasador ver que algo que foi criado para ajudar a humanidade está praticamente a destruindo. Divinópolis pode ser usada como um dos exemplos mais sólidos do estrago que a era digital é capaz de fazer. A cidade, que já foi eleita a quinta melhor para se viver em Minas Gerais, hoje está “afogada” em vídeos de políticos cheios de discursos apaixonados, cheios de razão, mas que não fazem absolutamente nada para mudar a realidade que Divinópolis enfrenta hoje.

Nem a cidade, nem a população e muito menos os políticos locais estavam preparados para a era digital. Em vez de usar a ferramenta como um meio de prestação de contas de seus mandatos e suas ações, eles utilizam as redes sociais apenas para propagar informações falsas, fazer apologia ao ódio e seus discursos vazios, que nada fazem pela cidade. Como disse um agente de trânsito, em um pedido endereçado à Comissão de Ética da Câmara: “as redes sociais têm se tornado um verdadeiro campo de traiçoeiros, onde ofensas e ameaças emergem como se não houvesse limites na lei”. Não estamos preparados. Não sabemos o nosso limite e não respeitamos o limite do outro. A era digital veio com tudo e, sem sombra de dúvidas, colocou em risco a democracia. A era digital deu aos políticos um poder que eles não têm: o de invencíveis, donos da verdade. O poder de achar que podem tudo e ofender a todos.

A verdade é que não podemos mais parar este processo de evolução. A era digital chegou, e o que cabe a nós e aos nossos representantes, é encontrar um lugar decente no mundo virtual. Afinal, a realidade uma hora ou outra bate à porta, e muitas vezes ela não é tão generosa quanto a virtual.

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