Dificuldade para obter leitos do SUS preocupa em Divinópolis

Ricardo Welbert 

A demora na liberação de um leito hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) pode ter sido responsável pela piora no estado de saúde do divinopolitano Paulo Roberto Eugênio, de 61 anos. É o que afirma a técnica em enfermagem Roxane Gaspar, sobrinha dele. Em entrevista ao Agora, ela conta que o tio passou um mês internado de forma improvisada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Por falta de vaga em hospital, precisou ser submetido a uma cirurgia lá mesmo. Dias depois surgiu uma vaga em Oliveira, a 62 quilômetros, onde segue em estado grave.

Para Roxane, a pouca quantidade de leitos disponíveis pode ser percebida no “SUS Fácil” – software de regulação assistencial criado pelo Governo de Minas para agilizar o atendimento de serviços hospitalares e ambulatoriais de média e alta complexidade, além de procedimentos de urgência e emergência do SUS mineiro. O programa integra e gere os municípios considerados polos regionais do estado, que são divididos em 12 macrorregiões.

— Mas só é fácil no nome. O sistema tem mandado muitos pacientes de Divinópolis para outras cidades e enviado muitos moradores de cidades próximas para hospitais de Divinópolis. Se você for à porta do Completo de Saúde São João de Deus e conversar com parentes de pacientes, por exemplo, vai ver que a maioria é de fora — diz.

Paulo Roberto Eugênio mora no Esplanada. Diabético e hipertenso, procurou a UPA local há pouco mais de um mês e só saiu de lá há três dias, quando recebeu uma vaga no Hospital São Judas Tadeu, em Oliveira.

— Meu tio precisou ser submetido a uma traqueostomia quando estava na UPA. Foi entubado e pegou uma infecção. Somente depois de eu conseguir um mandado judicial é que a vaga dele surgiu.. Quando chegamos lá, a médica me disse que não sabe por qual razão não liberaram vaga para ele em Divinópolis — diz Roxane.

Desde então, o quadro clínico do idoso tem piorado. Ele precisa ser submetido a hemodiálise, o que dificulta ainda mais o tratamento.

— Essa forma como o “SUS Fácil” é usado torna tudo muito difícil. A situação dos pacientes piora com tanta demora pra transferir e com transferências para longe — reclama.

Outro lado

O Agora questionou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre as reclamações feitas por Roxane.

— O paciente Paulo Roberto Eugênio foi transferido para o hospital de Oliveira porque houve oferta de leito que atendeu às necessidades do paciente. Ou seja, era necessário que houvesse disponibilidade de todos os recursos necessários ao atendimento clínico e cirúrgico, quais sejam recursos humanos e tecnológicos, leito vago (cama) e insumos para atendê-lo — diz o órgão.

Em relação à Divinópolis, a SES informa que o hospital que atende pelo SUS e recebe pacientes regulados pelo “SUS Fácil” é o Complexo de Saúde São João de Deus e ressalta que a lei 12101 de 2009, conhecida como Lei da Filantropia, estabelece que as instituições certificadas como filantrópicas atendam pelo SUS um percentual mínimo de 60%.

Ainda segundo a SES, o Centro-Oeste possui 1,2 milhão de habitantes em 54 municípios distribuídos em seis regiões.

— Os leitos estão organizados da seguinte forma: na região de Saúde de Divinópolis/Santo Antônio do Monte são 549 leitos SUS e 423 não SUS. Na região de Itaúna, 98 são SUS e 41 da rede suplementar. Em Pará de Minas, 150 são SUS e 43 não. Em bom Despacho, 196 SUS e 61 não SUS. Em Formiga, são 289 SUS e 65 não SUS. Em Santo Antônio do Amparo/Campo Belo, 306 são leitos SUS e 56 não SUS.

Sobre o funcionamento do “SUS Fácil”, o órgão diz que o sistema alimenta a central de regulação de leitos. Quando um paciente necessita de procedimento de urgência, é cadastrado no software após a avaliação do médico da instituição de origem. Com o laudo, os médicos e operadores da central passam a solicitar vagas em umas das instituições credenciadas ao SUS de Minas Gerais.

Caso o hospital se encontre com 100% ocupação, segundo a SES, a central procura leitos em outras instituições hospitalares da região que possam atender ao paciente. Tendo negativas, ela passa solicitar leitos em outras regiões do estado.

— É responsabilidade da unidade hospitalar manter atualizado o registro do mapa de leitos da instituição no sistema. A central de regulação visualiza o mapa de leitos em tempo real para regular e realizar as internações e transferências dos pacientes da região, de acordo com a oferta de leitos e necessidade clínica de cada paciente — finaliza. 

 

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