Diabéticos seguem sem fita glicêmica em Divinópolis

Ricardo Welbert 

Continua o drama dos diabéticos que dependem da Farmácia Municipal de Divinópolis para obter as tiras necessárias para verificar as taxas de glicemia no sangue.

O estudante Mateus Xavier tem 26 anos e mora no bairro Bom Pastor. Descobriu a doença aos 13. Desde então recorre ao serviço público para receber as fitas.

Ele precisa de três caixas do produto por mês e já faz cinco meses que ele não consegue na farmacinha. Cada uma custa de R$ 79,80 a R$ 113,90 em sites de farmácias. Já gastou R$ 1,7 mil.

— Dinheiro que faz muita falta para mim. Como diabético, preciso abandonar dieta, médicos e exercícios para conseguir comprar as fitas, que são essenciais no controle da glicose — desabafa.

Mateus não só tem o direito comum às fitas (do tipo ao qual todo cidadão tem) como também tem causa ganha na Justiça para isso.

— Consegui por determinação judicial. Além disso, não sou o único na cidade a reclamar. Somos milhares de diabéticos em Divinópolis. Para o Município, parece ser muito mais viável pagar multa a quem ganhar causa na Justiça do que comprar as fitas — reclama.

A gerente de vendas Fernanda de Oliveira Xavier, de 31 anos, é irmã de Mateus e sofre junto com ele toda vez que chega à farmácia municipal para buscar os itens dos quais ele precisa.

— Por enquanto, insulina e cateter ainda tem. Mas as fitas estão em falta há cinco meses. O custo fica muito acima do nosso orçamento. Dependemos muito disso — afirma.

Outros lados 

Procurada, a Secretaria de Saúde de Divinópolis se limitou a dizer que o responsável pela entrega das tiras é o Governo de Minas.

Em resposta a um pedido de informações feito em julho do ano passado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou a responsabilidade pelo fornecimento e disse que repassa as fitas aos municípios de acordo com o limite de teto financeiro pactuado.

— Caso o Município deseje um quantitativo superior ao pactuado com o Estado, esse quantitativo precisa ser providenciado pelo governo municipal — explicou, à época.

Procurada ontem, a SES informou que aguarda dados que deverão ser fornecidos pela Regional de Saúde de Divinópolis. Assim que a área técnica apurar as informações necessárias, dará retorno à reportagem.

Doença 

O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. O hormônio controla a quantidade de glicose no sangue.

O corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, que obtemos por meio dos alimentos, como fonte de energia. Quando a pessoa tem diabetes, no entanto, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente.

O nível de glicose no sangue fica alto, gerando a hiperglicemia. Se esse quadro permanecer por longos períodos, poderá haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

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