Dia triste

Ontem, 21 de janeiro de 2019, sem sombras de dúvidas, foi um dos dias mais tristes da história de Minas Gerais. Foi o dia em que a educação mais uma vez foi colocada em segundo, se não for em terceiro plano. Ontem, foi o dia em que prefeitos de várias cidades do Estado decidiram adiar o início das aulas. Jogaram para depois do Carnaval o início do ano letivo, como se joga um pequeno problema para outra pessoa resolver. O motivo? Falta de dinheiro. Não há dinheiro para melhorar a educação no Brasil e também não há dinheiro para pagar as prefeituras. Não há dinheiro para investir em infraestrutura nas escolas, não há dinheiro para pagar os professores em dia, não há dinheiro para investir em livros, não há dinheiro para a educação. Então, o povo que pague a conta.

O mais incrível disso tudo é que o Brasil está entre os dez países do mundo que cobram mais impostos da população, e simplesmente não há dinheiro. Ao mesmo tempo em que o Brasil está entre os dez países que mais cobram impostos do povo, ele está entre os que menos retornam esse dinheiro para a população. No fim das contas, há dinheiro, mas não se sabe onde ele está. Milhões e mais milhões de impostos são pagos todos os dias. O brasileiro respira e lá se vão embora R$ 50 em impostos. Porém, não há dinheiro para começar as aulas. Se em 2018 o povo já estava preocupado aonde esse caos de Minas Gerais iria parar, agora a preocupação dobrou. Ao que tudo indica, não há dinheiro, não há plano de voo, não há solução.

O governador Romeu Zema (Novo) ganhou as eleições em outubro do ano passado, derrotando políticos da velha guarda como Antônio Anastasia (PSDB) — a grande aposta — e Fernando Pimentel (PT), prometendo ser o novo, o recomeço. Mas, há três semanas no poder, Zema só apresentou mais do mesmo até agora. Zema só provou ser um seminovo. Repetindo as atitudes de seu antecessor, o megaempresário do ramo de eletrodomésticos e postos de combustíveis não consegue apontar uma saída a médio prazo para a situação dos salários e 13° dos servidores, e nem das prefeituras. Enquanto comissões e mais comissões são criadas, quem paga essa conta (cara, salgada, amarga) é o povo.

Na semana passada, o Agora citou uma frase de Nelson Mandela, que dizia: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Sim! Não há sombras de dúvidas de que a educação irá mudar o mundo. Mas, do jeito que anda a carruagem, o Brasil está muito longe de ser mudado. O Brasil está cada dia mais distante da mudança. Enquanto a população acreditar que a mudança deste país está nas mãos dos políticos, a nação caminhará em rumo contrário à evolução. Enquanto o povo acreditar que os engravatados, que percorrem céus e terras a cada quatro anos, com promessas que nunca poderão ser cumpridas, são os donos da mudança, o Brasil nunca sairá desse abismo sem fim.

Minas ontem infelizmente se afundou um pouco mais nesse poço sem fundo. A população, talvez por falta de entendimento, mais uma vez paga uma conta que não é sua. E o 21° dia do ano foi um dia triste, porque não há dinheiro.

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