Dia do professor

O dia mundial do professor é celebrado aos cinco de outubro. No Brasil, festejamos nossos professores no dia quinze. Isto deve-se certamente a um fato histórico relacionado com a educação escolar e o exercício do magistério em nosso país. Há 192 anos, em 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I promulgou uma lei imperial que tratava do ensino elementar e do exercício do magistério nas cidades do Império do Brasil. A lei regulamentava, inclusive, o modo de contratação dos docentes e os seus salários. Em 1963, no governo do presidente João Goulart, a data foi oficializada como o “dia do professor”.

Neste ano, a celebração transcorre na sequência da canonização de Irmã Dulce, que se diplomou como professora primária, em 1932, embora pareça que nunca exerceu a profissão. Este é o lado ameno da questão. Porque há outras coisas acontecendo, menos ou nada agradáveis, que envolvem os profissionais do ensino e a própria dignidade da profissão.

Em meio a polêmicas, o governo federal lança um projeto de escolas públicas militarizadas. Na prática, haverá dois sistemas de ensino. Neste, alunos e professores passarão a viver um regime de intimidação, com a presença de militares dentro das escolas e nelas interferindo. Nessas instituições de ensino, as crianças serão condicionadas e adestradas a obedecer e calar-se. Por outro lado, os filhos dos ricos e das classes médias continuarão a estudar em escolas particulares, onde aprenderão a desenvolver os talentos e a criatividade.

Na capital do Estado, dois acontecimentos são reveladores do momento que estamos vivenciando. No tradicional Colégio Loyola, dirigido pelos Jesuítas, um grupo de pais insurgiu-se contra os textos usados em uma prova. Reagindo, um grupo de alunos manifesta apoio à professora em questão. Mas a direção da escola anulou a prova. Enquanto isso, a Câmara Municipal de Belo Horizonte está em pé de guerra, na votação de um projeto em favor da chamada “escola sem partido”. Esta será uma escola sem liberdade de cátedra. Não por acaso, muitos vêem a proposta como tentativa de amordaçamento do professor. É a “lei da mordaça”.

É fora de dúvida que se pretende colocar sob censura as escolas, os professores e suas ideias, a liberdade de ensino e de expressão. Tudo isso exige da sociedade, dos cidadãos, séria reflexão e postura de enfrentamento crítico.

Aos professores, nossa homenagem pela passagem do seu dia. Coloquemo-nos ao lado deles, das suas reivindicações, da sua liberdade e dignidade.  jorababech@gmail.com

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