Dia de parcelamento

 

Hoje não é só o Dia Mundial do Rock, bebê. Hoje também é dia parcelamento. Mais precisamente, hoje é dia do parcelamento do parcelamento. Hoje é o dia em que os servidores do Estado receberão seus míseros R$ 1,5 mil. Hoje é o dia da primeira parcela da primeira parcela. No dia 25 de julho será a vez da segunda parcela. A terceira, ‘só Jesus na causa’. Foram longos quatro anos de governo e Fernando Pimentel (PT) e seus secretários simplesmente não conseguiram reerguer Minas Gerais. Fizeram menos que Antonio Anastasia (PSDB), que quebrou o Estado, mas manteve os salários em dia – e os repasses aos municípios também.  

A pouco menos de seis meses do fim do seu governo, Pimentel espalhou medo nos servidores, que hoje nada mais têm do que a incerteza se terão seus salários no próximo mês. O Estado faliu. Não apenas financeiramente. O Estado faliu como um todo. Não apenas Minas Gerais, mas o Brasil. O Brasil faliu moralmente, economicamente, politicamente, socialmente. Os brasileiros não vivem, sobrevivem. Os brasileiros hoje apenas lutam todos os dias. Lutam contra a fome, contra a violência, lutam para pagar as contas em dia e lutam para ter acesso a qualquer tipo de serviço público – mesmo que em péssimas condições.  

Faliram o Brasil por pura incompetência. Não há um plano B. Não há gestão. Não há alguém capaz o suficiente para reerguê-lo. A população neste exato momento toca violino enquanto o barco afunda. Um exemplo clássico da falência do estado brasileiro é a luta contra as drogas. É antiga e até hoje o país não avançou. Muito pelo contrário: só recuou. Nem mesmo o Exército, como no caso do Rio de Janeiro, foi capaz de fazer com que as estatísticas caíssem. O tráfico só vence essa batalha todos os dias por um simples fato: ele é organizado.  

Enquanto o estado é essa total baderna, o tráfico se organiza todos os dias. Seja com o caderninho de entrada e saída de drogas, com os funcionários engajados que fazem o serviço ou até mesmo com a valorização desses funcionários. Hoje não há um estado no Brasil que não tenha suas polícias Militar e Civil sucateadas, desvalorizadas e defasadas. Esse é apenas um exemplo claro da falência e da desorganização do Estado, que todo dia toma um 7 a 1. A grande pergunta é: como organizar séculos de desorganização e colocar o país de novo nos trilhos? 

Quando os brasileiros deixarão de sobreviver e viverão? Pois não há um momento na história desse país em que as classes B e C não tenham lutado todos os dias contra o estado falido. Todos os dias milhares de jovens são perdidos para o tráfico, pois vão atrás da promessa de uma vida melhor. Enquanto encarar o mercado de trabalho é sinônimo de R$ 988 líquidos e pouco mais de R$ 800 brutos. Como sustentar uma família assim? Nem mesmo concurso público hoje é garantia de estabilidade. A única garantia que se tem é de salário parcelado.  

Foi-se o tempo em que estudar – e coloca “estudar” nisso aí – era sinônimo de futuro estável. Sem gestores, sem organização e sem um rumo certo, a única certeza que os brasileiros têm hoje é a de que vivem em um país falido, onde o que mais se vê é gente legislando em causa própria e executando idem.  

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