Desolação na alma

Maria Cândida - Rotativa 

No final de outono, uma jovem

ateou fogo a um campo de trigo.

O outono fora muito seco; 

O campo ardeu como palha.

Não sobrou nada.

E Se nele caminhávamos não víamos nada.

Nada havia para colher, para cheirar.
Os cavalos não compreendem

— Onde está o campo?, parecem dizer.
Como tu ou eu a perguntar
onde está a nossa casa.

Ninguém sabe responder
Não sobra nada;
resta-nos esperar, a bem do lavrador,
que o seguro pague.

Como perder um ano de vida.
Em que perderias um ano da tua vida?

Mais tarde regressas ao velho lugar –
só restam cinzas: negrume vazio.

Pensas: como pude viver aqui?

Mas no tempo era diferente,
mesmo no último verão.

A terra agia
como se nada de mal pudesse acontecer-lhe.

Onde está o campo, parecem dizer.
Como tu ou eu a perguntar
onde está a nossa casa.

Ninguém sabe responder-lhes.
Não sobra nada;
resta-nos esperar, a bem do lavrador,
que o seguro pague.

É como perder um ano de vida.
Em que perderias um ano da tua vida?

Mais tarde regressas ao velho lugar –
só restam cinzas: negrume e vazio.

Pensas: como pude viver aqui?

Mas na altura era diferente,
mesmo no último verão. A terra se comportava
como se nada de mal pudesse dar errado com ela.acontecer-lhe

Bastou um fósforo

Mas na hora certa tinha que ser

A hora certa.

O campo estava ressecado, seco

A morte já estava lá .

P0ema de Louise Gluck, ganhadora do Nobel de Literatura 2020. Este não é o poema vencedor. O poema dela vencedor do Nobel 2020 é outro que ainda não foi traduzido para nós, brasileiros.

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Ministério Público denuncia ex-vice-prefeito, ex-secretário e mais três pessoas. O jornal conta tudo.

Comemoro. É a Justiça e jornal cumprindo uma de suas mais nobres funções: a de denunciar e punir com seriedade responsabilidade. 

Lá está que “Um ex-secretário municipal, um ex vice-prefeito e outras três pessoas em Divinópolis foram denunciadas pelo Ministério Público (MP) por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público em razão da prática de crimes de peculato e falsidade ideológica na alienação de imóveis públicos em favor de empresa situada na cidade”. 

Foi publicada lei autorizativa de doação em pagamento, daí que a empresa beneficiada deveria realizar atividades em prol da cidade para que pudesse então receber os imóveis públicos, e, por esta razão, passou a realizar repasses em dinheiro para o Município, mas os valores apurados não foram empregados na realização de obras de interesse público, mas, sim, desviados pelos acusados. Para dar ares de legalidade ao desvio, parte dos acusados emitiram notas fiscais e recibos falsos maquiando como verdadeiras as obrigações da empresa beneficiária.

Explicando o caso já publicado pelo Agora: o ex-vice-prefeito seria Rodrigo Resende e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo César dos Santos, ambos na gestão do prefeito Vladimir Azevedo, conforme publicado neste jornal no início de 2019.

Foram ajuizadas três ações pelo MP pelas práticas irregulares de 2013 . Uma delas é contra a empresa contratada pelo Município para realizar o serviço. A denúncia afirma que a Prefeitura doou lotes naquele ano, de forma irregular.Um ano antes, um projeto de lei foi enviado à Câmara e aprovado. Porém o texto fora sancionado em 2013.

O MP recomendou na época que o projeto não fosse aprovado, o que foi descumprido pela Câmara. Os acusados respondem por improbidade administrativa e danos ao patrimônio público.

(Texto já publicado pelo Agora em 2013, e repetido em 15 de setembro de 2020. Maria Cândida o transcreve aqui e agora com pequenas alterações nesta Rotativa, pela oportunidade e qualidade do texto.)

 Até quando, senhor promotor?

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