Desgraça alheia

Preto no Branco

É impressionante ver algumas situações em um momento de tamanho sofrimento para milhares de famílias brasileiras. É gente que se acha melhor do que os demais e fura a fila da vacina, outros que fingem aplicar o imunizante e jogam corpo adentro ar e soro fisiológico. Covardes que desviam oxigênio destinados a pacientes morrendo por falta de ar nos hospitais e vendem com direito até a anúncio na internet. Resumindo: se aproveitam da desgraça alheia, pondo seus interesses podres em primeiro lugar.  A pergunta que se faz é: o que mais falta acontecer? Porque todas as aberrações possíveis já foram vistas, ora em um estado, ora em outro. Ora, debaixo do nosso nariz e assim segue...

O que é prioridade?

A vida. Lógico que todos afirmariam isso. No entanto, diante de tantos desencontros e desordens, com toda certeza, outros interesses estão acima desta prioridade. Um exemplo recente, mais precisamente, neste fim de semana, é a decisão do ministro Kassio Nunes Marques do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as reuniões presenciais nas igrejas do Brasil. Como se conhecesse de perto a realidade dos estados e municípios brasileiros. Mas não é só isso. A confusão segue, enquanto a situação da covid País a fora é cada dia mais caótica. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, por exemplo, está no meio desta polêmica. Depois de falar que não iria cumprir – levando em conta o colapso na saúde na capital mineira – mudou de ideia na tarde deste domingo, depois de ser intimado pelo ministro. No entanto, informou que a Prefeitura já entrou com recurso contra a liberação. A briga promete, mas vale lembrar, que em queda braços como esta, o vencedor não tem que ser quem está de um lado ou de outro, mas a vida. 

Impasse e igreja 

Enquanto o vencedor não é conhecido, em nota, a arquidiocese de BH orientou os padres a acolherem o pedido da Prefeitura, para que as igrejas não recebam grupos de fiéis, devido à pandemia, deixando os templos abertos apenas para orações individuais. A nota ainda diz que em 2020 a instituição publicou diretrizes para o enfrentamento à covid-19, com orientação para que as comunidades respeitem e cooperem com as autoridades de saúde. Medida acertada e sensata, porém, depende mais uma vez do povo, esse sim, se quiser, e colaborar, faz toda a diferença.

Vai contra 

A decisão do ministro Kassio Nunes contradiz a do Supremo Tribunal Federal (STF) de abril do ano passado que garante autonomia a prefeitos e governadores a determinarem medidas para o enfrentamento ao coronavírus. Os ministros chegaram à conclusão de que estados e municípios podem regulamentar medidas de isolamento social, fechamento de comércio e outras restrições, diferentemente do entendimento do presidente Jair Bolsonaro, segundo o qual cabe ao governo federal definir quais serviços devem ser mantidos ou não. Em um país onde a disputa política está acima da vida e a justiça não se entende, esperar o quê mais?

Tudo a ver 

O que Divinópolis tem a ver com isso? Tudo. A Prefeitura publicou um decreto na tarde de sábado com deliberações sobre as medidas da covid-19 na cidade. Ficou praticamente a mesma coisa de quando houve a publicação do primeiro documento com normas para a onda roxa. Cerca de três horas depois, uma nota explicativa foi emitida pelo Executivo contradizendo totalmente o decreto. Nela, libera as celebrações religiosas, contrariando as determinações do Estado sobre o cumprimento na íntegra da onda roxa que foi prorrogada até dia 11. E não é só isso. Além das igrejas, libera muito mais. Tudo valendo desde esta segunda-feira, 5. Se terá consequências - jurídicas e agravamento da já delicada situação da doença na cidade – os próximos dias dirão.

 

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