Desfile de 1º de junho pode ter desfalque importante

 

Gisele Souto

O tradicional desfile de 1º de Junho, aniversário de Divinópolis, é acompanhado por centenas de pessoas que se deslocam até a avenida de mesmo nome para acompanhar as atrações. Cada um tem sua preferência. Há aqueles que gostam das fanfarras das escolas, da cidade amiga, que geralmente traz uma novidade para a avenida, do Tiro de Guerra, da cavalgada e também dos Bombeiros e da Polícia Militar. Porém, neste ano, quem gosta da imponência do desfile militar pode ficar sem vê-lo. Devido à demanda para atuação na Divinaexpo, à cavalgada e à rotina normal da PM, o comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rodrigo Coimbra, afirma ser inviável a presença na festividade na avenida. Assim, o comandante diz que se a PM tiver que cobrir a cavalgada não participará do desfile.

— Ou a corporação oferece segurança à cavalgada, ou desfila. Na sexta-feira, a festa no parque exigirá um policiamento pesado. Os militares saem de lá com o dia claro já. Logo depois tem o desfile e a segurança da cavalgada, vara noite adentro. Mesmo que eles dobrem de serviço não dá — explica o comandante.

O tenente-coronel revela ainda que, somente para a cavalgada, precisa de 30 a 40 homens, e 100 para trabalhar e desfilar. Segundo ele, as ações envolvem muita gente, tendo em vista que precisam atuar também todos os dias do rodeio.

— Em anos anteriores, os militares tiveram que ficar à disposição da cavalgada até de noite. Muitos participantes acabam ficando até mais tarde, fazem uso de bebida alcoólica e até se envolvem em confusão. Não podemos correr este risco — argumenta.

Mudança

O comandante do Batalhão disse ainda que sugeriu ao organizador da cavalgada, Ricardo Salgado, que mudasse o dia, antecipando ou adiando, porque assim a PM teria condições de oferecer segurança. Porém, ele não concordou alegando haver uma lei municipal que garante a realização da cavalgada no dia 1º de junho.

Ricardo Salgado, que está na organização há oito anos, confirmou à reportagem a existência da lei e disse que o evento vai acontecer. Afirmou também que as inscrições já começam na próxima semana e até agendou reuniões com os integrantes das ONGs que fiscalizam maus-tratos a animais.

— Vou tentar um pouco de segurança particular para juntar aos voluntários que já nos ajudam.  Iremos realizar também mais algumas reuniões com pessoas nos auxiliam na organização do dia.  Já mudamos trajeto, diminuímos problemas e o esforço pra isso vem desde 2008 — revela.

Ainda de acordo com Salgado, a cavalgada acontece há mais de 50 anos e é uma das principais atrações do desfile.

— Propus hoje [ontem] na Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), onde o assunto surgiu, sentar e alinhar como fizemos em todos os 12 anos. Se eles entenderem que é mais seguro a gente organizar do que deixar o povo ir de qualquer jeito, bom! Se não, paciência.

Ele diz ainda que há muita coisa que as pessoas não sabem.

— Eu nunca ganhei nem um centavo com essa cavalgada, aliás, eu sempre gasto do meu bolso e corro atrás de amigos para ajudar nas despesas. Se isso me estressar demais, eu vou para a roça e deixo essa bomba para quem quiser pegar — resume.

 

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