Desculpe o transtorno

 

Falhamos! Falhamos miseravelmente como seres humanos. Falhamos como cidadãos, pais, filhos, maridos, esposas, políticos, gestores, pessoas. Falhamos todos os dias, e falhamos mais uma vez. Falhamos como protetores das crianças, como protetores dos idosos, dos animais, do direito do outro, e do direito próprio. Chegamos ao fim do túnel. Chegamos a um momento em que não resta outra saída, senão tentar recomeçar. Olhar para si próprio, ver os próprios erros, tentar consertá-los, para tentar dar um novo rumo à sociedade. Caso essa atitude não seja tomada o quanto antes, pouco nos restará.

O assassinato de uma cadela nesta semana no estacionamento do Carrefour, em Osasco, São Paulo, tomou conta das redes sociais. Na maioria das postagens, as pessoas manifestavam seus sentimentos de repulsa, tristeza, raiva e impotência diante da situação. Justo! Muito justo! Em contraponto, outras se manifestavam indiferentes à situação, e chegaram a comparar a comoção pela morte da cadela com a morte de uma idosa. Justo também! Muito justo! Mas, a grande questão nisso tudo é que, mesmo com assuntos simples, a população se divide. Um quer ter mais razão que o outro. Um quer saber mais que o outro. A dor de um tem que ser mais forte que a do outro.

No fim das contas, ambos os crimes são terríveis, devastadores. Ambos mostram como falhamos, todos os dias, como seres humanos. Falhamos na hora de educar e de ensinar o que é certo e o que é errado. Falhamos na hora de escolher os nossos representantes. Na hora de representar. Falhamos ao apenas exigir, mas nunca cumprir nosso dever. Falhamos até mesmo na hora de cobrar. Falhamos miseravelmente e, o pior disso tudo, é que continuamos no erro. Insistimos nos mesmos erros, nas mesmas posturas de nossos pais, avós, bisavós, e, mesmo assim, queremos mudança. Cometemos as falhas, mas queremos um mundo melhor.

Reclamamos dos buracos das ruas, mas não pagamos nosso IPTU e IPVA em dia. Reclamamos dos políticos, mas continuamos a escolher os mesmos, ou, pior ainda, a não nos interessar por política. Reclamamos do lixo jogado nas ruas, mas não jogamos no local adequado. Reclamamos, apenas reclamamos. E agora, além de reclamar, nos sentamos nas redes sociais, fazemos textões revoltados, cheios de moralismo, mas o nosso discurso não condiz com a verdade. O mundo continua girando, e, dia após dia, continuamos com os mesmos erros. Alguns insistem até mesmo em resgatar erros do passado.

A pergunta é: aonde este caminho nos levará? Quantas vezes mais precisaremos falhar para consertar? Quantas vezes mais precisaremos nos dividir sobre simples assuntos, para ter união? Até quando esse cabo de guerra vai durar? Até quando as pessoas não vão aceitar as diferenças? Até quando elas vão continuar levando os seus preconceitos, que continuam a dividir o mundo? Estes são questionamentos mínimos, perto dos grandes problemas que temos. Até que a união aconteça, para que todos caminhem rumo à evolução da coletividade, desculpe-nos o transtorno, as falhas vão continuar.

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