Desafortunada gente brasileira

Augusto Fidelis

Recebi de um amigo, residente em São Paulo, dois vídeos estarrecedores sobre a atuação da Prefeitura da cidade de Araraquara com relação à Covid-19. O primeiro mostra um idoso sendo espancado no meio da rua por policiais militares. Enquanto o desafortunado grita por misericórdia, um dos policiais o segura pelo braço e outro desfere sobre suas costas repetidos golpes de cassetete. 

Noutro, uma mulher que se encontra na praça tomando sol é abordada por guardas municipais. Apesar de arrogar os seus direitos constitucionais de estar ali, foi presa, jogada ao chão, enforcada, braço torcido, algemada e levada para o camburão. Um repórter, que dava cobertura à ação, salientou que neste momento o decreto municipal está acima da Constituição, pois assim decidiu o Supremo, visto que a preservação da vida é mais importante do que preservar a economia. Em nome da preservação da vida, a mulher quase foi morta enforcada.

Brasil afora, governadores e prefeitos, com os seus aparatos, têm cometido verdadeiros crimes contra a população. Desde o início, o vírus, que é real, tem sido usado como arma política. Os espertalhões sempre veem na desgraça alheia a oportunidade de ganhar dinheiro e concretizar seus objetivos, sejam políticos ou econômicos.

O governador de São Paulo, João Dória, ameaçou pôr na cadeia o cidadão que não respeitar o isolamento social. Simultaneamente, a justiça em Curitiba mandou tirar da cadeia todos os presos, não importando a periculosidade dos mesmos, para poupá-los de possível contaminação pela Covid. Saem da prisão os marginais para darem lugar aos cidadãos de bem que, às vezes, vão à rua apenas comprar comida. 

No Brasil, o cidadão é preso e condenado por querer usar o seu direito de ir e vir. Mas os políticos e empresários, que roubam os leitos dos hospitais e a merenda escolar, ainda que condenados em segunda instância, não podem ir para a cadeia. Quanto a essa demanda, têm o amparo do Supremo, este disposto a conceder liminar a quem tiver bom advogado. Aliás, o Supremo, que deveria se ocupar somente das demandas de interpretação da Constituição, arroga para si até roubo de galinha. Se apenas uma galinha, está condenado; se dez mil galinhas, está perdoado. Que país é este?

Eles já estão nosso jardim, arrancando as plantas e revirando a terra. Nós, petrificados pelo medo, limitamo-nos a olhar pela fresta da janela, incrédulos quanto ao desfecho de tão horripilante ação. O certo é que, depois de devastarem o jardim, vão entrar na nossa casa e, então, será tarde, muito tarde. Ninguém vai nos ser solidário, porque está tudo dominado.

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