Denúncia aponta agentes funerários expostos à covid-19

Prefeitura nega e garante que traje necessário está à disposição para uso dos servidores

 

Da Redação

Desde o início da pandemia, uma série de trabalhos precisaram se adequar para exercer suas atividades com segurança diante da pandemia de covid-19. O Agora, porém, recebeu informações de que o Serviço Municipal do Luto, mesmo quase um ano após o primeiro caso na cidade, ainda carece de equipamentos para a segurança dos servidores. A Prefeitura nega.

Caso

Segundo a denúncia, os agentes funerários do Serviço Municipal do Luto foram acionados para recolher um corpo no bairro Serra Verde. Na declaração de óbito, à qual a reportagem teve acesso, a causa apontada era coronavírus. O paciente, de 66 anos, ficou internado por 15 dias em um hospital particular da cidade, onde testou positivo para a doença. Após esse período, ele recebeu alta e voltou para casa. Seu quadro de saúde se agravou e ele morreu na terça-feira, 25, por volta das 10h35. 

O problema, afirma a fonte responsável pelo denúncia, é que os agentes não possuem o Equipamento de Proteção Individual (EPI) necessário para a remoção segura de mortos por coronavírus ou demais infecções contagiosas. Ou seja, sem o devido traje, os servidores ficam expostos à contaminação do vírus.

Posicionamento

A Prefeitura informou ao Agora que a informação não procede.

— Todas as vestimentas adequadas para executar tal serviço estão sendo oferecidas aos agentes funerários. Esses trajes foram cedidos pela Secretaria da Saúde e pelo Samu — comunicou.

Novo sistema

Conforme determinação da nova Administração, agora os agentes funerários estão autorizados a fazer a remoção de corpos mesmo sem a emissão prévia de Declaração ou Certidão de Óbito pelo órgão competente.

— Nós não temos médicos para poder declarar óbito, a Prefeitura não fornece este tipo de serviço. Nós somos apenas condutores, somos apenas motoristas — informou um servidor, que optou por não se identificar.

A mudança teria como objetivo evitar o constrangimento das famílias.

— A vice-prefeita [Janete Aparecida - PSC] tomou a linha de frente nessa reunião e eles decidiram que o Serviço Municipal do Luto fará a remoção de corpos nos domicílios, sem Declaração de Óbito, e não é para acionar a polícia para não constranger a família. Aí a gente vai buscar um corpo e, por exemplo, se ela foi envenenada, a gente recolhe o corpo, manda para a UPA, eles emitem a Declaração de Óbito, e pronto, um crime que foi ocultado? — questiona.

 

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