Dentari nega golpe a clientes e explica sobre lojas fechadas

Ricardo Welbert 

Após o Agora informar que clientes da clínica odontológica Dentari em Divinópolis temem ter sido vítimas de golpe e ameaçam processar a empresa por não cumprimento de serviços contratados, o pedido de informações enviado pela reportagem na terça-feira foi respondido ontem.

Elcio Ferreira é gerente da unidade da rua Goiás. Ele explica que essa loja é a sede da Dentari, que atualmente possui dois franqueados – dentistas que não são donos da marca, mas pagam royalties para usá-la.

Uma franquia dessas é a que fica na avenida 1º de Junho, 1.043, no Centro de Divinópolis. A outra franquia fica em São Vicente, São Paulo.

Há cerca de dois meses a Dentari optou por fechar a unidade que havia na rua Rio de Janeiro, 665, no Centro de Divinópolis. Aquela não era uma franqueada, pois pertencia a Lucas Firmino, dono da marca, em sociedade com outros dentistas.

Porém, houve um desacordo entre os sócios. Por causa disso, a loja foi fechada. Ainda segundo Elcio Ferreira, todos os pacientes dessa unidade foram transferidos à da rua Goiás – e não à da 1º de Junho, que é de outro dono.

A enfermeira Kelly Mello, moradora do bairro São Judas, falou ao Agora sobre a decepção que teve ao procurar a loja da Goiás na sexta-feira, onde o filho tinha uma consulta marcada para as 11h15, e ter encontrado vários outros clientes em frente à unidade, que estava fechada.

— A loja funcionou normalmente durante quase toda a semana passada. Só na sexta-feira, dia 10, é que precisamos fechar por volta das 9h30, porque alguns equipamentos precisaram de uma manutenção que demandou o desligamento da eletricidade na loja. Colocamos uma placa na porta informando aos clientes que reabriríamos normalmente no dia seguinte, sábado, dia 11. Porém, essa placa foi arrancada. No sábado o atendimento foi normalizado e tem sido assim desde então — diz Elcio.

Os clientes entrevistados reclamaram que telefonaram por várias vezes para o número de telefone informado na fachada unidade da Goiás (3112-0500) e não foram atendidos. A reportagem também telefonou a esse número por várias vezes anteontem, em horário comercial, e as ligações não foram atendidas.

— Isso é consequência de um problema que estamos tendo com a operadora de telefonia. Realmente tem muita gente reclamando que liga, mas chama, chama e ninguém atende — acrescenta.

Nota oficial 

Em nota publicada no Facebook da Dentari, Lucas Firmino diz que a empresa tem telefonado para os clientes da unidade da Goiás e da que existia na Rio de Janeiro.

— Estamos remarcando com nossos pacientes para que sejam atendidos em novo endereço. Nesta semana iniciamos contato com vários. Se você ainda não recebeu nossa ligação, fique tranquilo, pois receberá, com as informações do local correto — diz o proprietário.

A Dentari também afirma que todos os procedimentos que já foram pagos pelos clientes da loja fechada serão atendidos normalmente na unidade da Goiás, sem prejuízo.

— Várias pessoas nos procuraram com esta dúvida. Dentre elas, o repórter Ricardo, do diário de Divinópolis. Então aproveitamos esse espaço para esclarecer eventuais mal entendidos. Contamos com a compreensão de todos para que continuemos levando uma odontologia de excelência a toda a população divinopolitana — diz Lucas Firmino.

Franqueado quer romper

O dentista Felipe Amaral é o dono de um consultório odontológico instalado no número 1.043 da avenida 1º de Junho. A empresa se chamava Dentatus. Mas, há seis meses ele se tornou um franqueado da Dentari. Com isso, o visual e o sistema de atendimento passaram a seguir o padrão da franquia.

Segundo Felipe, muitos pacientes da Dentari da 1º de Junho passaram a procurar o consultório dele em busca de atendimento.

— Mas então eu explico que embora trabalhe com mesmo nome, aqui é outra empresa, com outro Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Recebo bem esses pacientes, mas explico que não posso fazer muita coisa a não ser orientá-los a buscar atendimento na unidade da rua Goiás, que é do mesmo dono que a da Rio de Janeiro — conta Felipe.

Ainda segundo o dentista, essa procura cresceu após o temor que alguns clientes da marca manifestaram de que a unidade da Goiás também teria encerrado atendimento na cidade.

— Sou um profissional com 15 anos de mercado na cidade. Diante de tudo isso que aconteceu, percebo que tenho um nome a zelar. Por isso, já acionei meu advogado e vou tentar um rompimento de contrato amigável com a Dentari, pois estou tomando pedrada de tudo quanto é lado e não tenho nada a ver com isso — diz.

Felipe permitiu que a reportagem fotografasse o consultório ontem à tarde. Por volta das 15h, a fachada, a recepção, a sala de atendimento e o uniforme do profissional ainda tinham a marca da Dentari.

— Mas hoje mesmo [ontem] um rapaz vai vir tirar a placa. Também vou precisar mandar trocar os bolsos dos meus jalecos. Vou tirar tudo o que me vincule a essa marca — comenta.

Perguntado sobre a decisão de Felipe por deixar de ser um franqueado, Lucas Firmino disse que o jurídico da empresa vai conversar com o franqueado. 

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