Decameron

Adriana Ferreira 

Giovanni Boccaccio, poeta e crítico literário italiano, especialista na obra de Dante Alighieri, viveu entre os anos de 1313 e 1375. Em 1348 e 1353, brindou o mundo com a obra Decameron – deca (dez)/hemeron (dias, jornada) – que é uma coletânea de 100 contos. Resumindo: é a história de sete moças e três rapazes que se abrigam em uma ilha isolada de Florença (Itália – oppps, eu disse Itália?), para fugir da peste bubônica que afligia a cidade. Durante esses dez dias, cada um conta dez contos, sobre os mais diversos temas. Os eróticos fazem os atuais parecerem contos infantis. É uma grande obra. Li e recomendo.

Peste bubônica

Ou peste negra, causada pela bactéria Yersinia pestis, surgiu no século XIV, tendo seu auge entre os anos de 1347 e 1353. É transmitida ao ser humano através da pulga dos ratos pretos. Trata-se de uma das mais devastadoras pandemias na história humana, que resultou na morte de 75 a 200 milhões de pessoas na Eurásia (Europa e Ásia). Somente no continente europeu, vitimou 1/3 da população.

China

Assim como a gripe aviária (1997), gripe suína (2009) e agora o coronavírus (2019), a peste negra também surgiu na China e somente desapareceu por completo da Europa no começo do século XIX, séculos depois da China.

Rota

Interessante como o coronavírus (Covid-19), no século XXI, repete a rota da peste negra.  Estaremos repetindo o século XIV? E, pior, pelas notícias que chegam, estamos tão despreparados como há 674 anos.

Mais repeteco

Além da rota do coronavírus, é preciso salientar que, no ano passado, a China registrou também casos de peste bubônica.

Minas Gerais

Divinópolis registrou o primeiro caso de coronavírus no estado. Aliás, não somente Divinópolis, mas todo o estado de Minas Gerais está precisando de uma "binzida". Chuvas intensas com mortes por desabamentos, rompimento de barragens, maior incidência de acidentes de trânsito, greves, Estado quebrado, desmoronamentos, governador que vive no mundo da lua, desemprego, alta taxa de criminalidade. Uau! A lista é intensa. Cadê nossas Minas Gerais? Cadê o jeito mineiro de ser? Guimarães Rosa deve estar se contorcendo no túmulo.

Professor Carlos Roberto

Na minha adolescência, estudei na Escola Polivalente, atual Martin Cyprien. Era uma escola fantástica, com professores maravilhosos. Não havia salas de aula, e sim laboratórios. Os alunos trocavam de sala, e não os professores. Anos depois, precisamente em 2016, a escola foi invadida (alguns chamam de ocupação) e lá fui eu defender minha escola. Em 2017, lá estive novamente para tratar da expulsão da filha de uma conhecida. A escola estava completamente mudada. Para pior! Via-se que a maioria não queria estudar. Há duas semanas, lá estive. Que mudança! Que ordem! Que silêncio! As vozes que se ouvia eram de estudantes interessados no que estava sendo ensinado, tal qual na minha adolescência. Nada de algazarra, balbúrdia, farra. Quanta honra de ver minha escola tão firme no propósito de formar cidadãos conscientes. Claro que isso não é resultado de milagre, e sim da missão do professor Carlos Roberto Inácio dos Santos, diretor, que, juntamente com uma equipe coesa, está alcançando ótimos resultados. Falo missão porque é mais que dirigir uma escola. É conduzir jovens de forma a deixá-los melhores para o mundo. Sabe aquela mistura fantástica de Sidney Poitier em "Ao mestre, com carinho" e Robin Willians em "Sociedade dos poetas mortos"? Esse é o professor Carlos Roberto Inácio dos Santos.

Greve dos professores

Sejamos sensíveis à greve. Sem professor, não há advogado, médico, engenheiro, jornalista. Zema, sem professor o senhor não estaria brincando de governador. Professor não é para ser maltratado. Professor é para ser bem remunerado, respeitado e, em alguns casos, até cultuado. Pense nisso!

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