Debaixo do tapete

 

As eleições estão se aproximando, e, ao final de tudo, além de um grande desgaste, deixarão também uma reflexão na sociedade.

Desde que os debates se intensificaram, com o fim da Copa do Mundo, o que mais se viu foi discurso de ódio. As eleições deste ano mostraram toda sujeira que estava debaixo do tapete no Brasil.

E não é a sujeira política, mas a sujeira moral, a social. Tudo o que estava escondido, abafado dentro do brasileiro durante anos, foi colocado para fora. O que mais se vê são discursos racistas, misóginos, machistas e homofóbicos.

No dia 13 de setembro, um médico ginecologista do Hospital Odilon Behrens, se tornou alvo de uma investigação interna do próprio hospital após postagens em uma rede social de cunho machista e preconceituoso.

Na publicação, o médico diz que médicas residentes que defendem ideias feministas são “nojentas e fedidas”. Na mesma postagem ele diz que “pais feios produzem feministas ou viadinhos enrustidos”. E completa: “se você é feia, não culpe os homens, não culpe sua colega linda, culpe seu pai, o homem feio que junto com sua mãe feia, produziu uma pessoa feia”.

Infelizmente, declarações como estas não são as primeiras, nem vão ser as últimas. Mas, o que mais chama a atenção é que elas estão sendo feitas com maior frequencia, e apoiada por muitos.

Afinal, o que deu errado no Brasil? O que deu errado para que a sociedade retrocedesse tanto nos quesitos sociais? O tempo passa, a tecnologia avança, o século muda, mas a impressão que se tem é que o brasileiro ainda vive na idade média. Quem está respaldando este comportamento que tanto assusta?

O que falta para que os brasileiros, enfim, comecem a aceitar as diferenças sociais? O que falta para os brasileiros aceitarem que a “Família Tradicional Brasileira” não existe? Faltam políticas públicas voltadas para abrir a cabeça da população? Faltam estratégias nas escolas para ensinar respeito, para que as crianças já cresçam conscientes? Falta alguém pegar na mão dessas pessoas e falar “olha, isso aqui é errado, viu?”? Falta alguém ensinar para o brasileiro como se ter respeito pelo próximo? Afinal, o que falta?

Essas perguntas precisam ter respostas algum dia, pois, o país não irá muito longe com este problema social tão grave e tão sério instalado.

Diante o caos social, o parabéns vai para as minorias. Aquelas que lutam diariamente para que a mulher tenha mais direitos, para que possa se assumir mãe sem estar casada; para que o negro possa se assumir sem ter vergonha da sua cor ou do seu cabelo; para que o homossexual possa se assumir com a sua orientação sexual; para que todo ser humano possa ser o que ele é, sem ter que ser constrangido, humilhado, pisoteado por uma maioria, que se acha única, por fazer parte da utópica “família tradicional brasileira”.

E, se nenhuma dessas perguntas acima for respondida um dia, aí vai ser a hora de pegar o Brasil, devolver para os índios, pedir desculpas e falar: “olha, não deu certo.”

Pelo andar da carruagem, isso não está longe de acontecer.

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